Economia dos EUA fecha 17 mil postos de trabalho em janeiro
da Folha Online
Atuializada às 12h30
O mercado de trabalho dos Estados Unidos perdeu 17 mil vagas em janeiro, registrando a primeira queda desde agosto de 2003, quando houve o fechamento de 42 mil vagas, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho divulgados nesta sexta-feira.
A taxa de desemprego, no entanto, registrou um ligeiro recuo no mês passado, para 4,9%, contra 5% registrados em dezembro.
O dado frustrou as expectativas dos analistas, que projetavam crescimento de 75 mil vagas no mês passado. A consultoria americana ADP Employer Services divulgou nesta semana uma pesquisa em que mostra uma previsão de criação de 130 mil empregos neste mês.
Os fechamentos de vagas atingiram diversos setores em janeiro --como manufaturas, empresas de construção (em particular as ligadas ao setor imobiliário). No setor público também houve fechamento de vagas. Os cortes ofuscaram os ligeiros avanços nas contratações nos setores de educação, saúde e varejo entre outros.
O departamento informou também que o dado de dezembro foi revisto para cima e passou a mostrar a criação de 82 mil postos de trabalho --a estimativa inicial mostrava a criação de apenas 18 mil empregos. O número de novembro, por sua vez, foi revisto para baixo, ficando em 60 mil novas vagas.
No ano passado, o departamento informou em agosto que a economia americana havia eliminado 4.000 postos de trabalho, mas o dado foi revisto e passou a mostrar a criação de 89 mil empregos.
Em 2007, a média de criação de empregos por mês nos EUA foi de 95 mil empregos. O setor de construção fechou 27 mil vagas no mês passado; o setor manufatureiro teve perda de 28 mil postos de trabalho.
No setor de serviços, as empresas de saúde contrataram mais 27 mil pessoas; no setor de alimentação também houve novas contratações, com a abertura de 16 mil vagas entre novembro e janeiro, segundo o departamento. As contratações nas empresas de serviços técnicos e profissionais mantiveram-se praticamente estáveis, após a criação de 49 mil vagas em dezembro.
O setor financeiro teve um saldo de 1.00 empregos criados, com a eliminação de 4.000 vagas no setor bancário, mas a abertura de 5.000 vagas em outras áreas --como corretoras e empresas de investimentos em commodities.
No comércio, tanto o setor varejista como o atacadista mantiveram-se basicamente estáveis em termos de novas contratações.
O salário médio por hora dos trabalhadores nos setores de produção e fora de cargos de supervisão no setor privado teve ligeiro ganho de 0,2% no mês passado, chegando a US$ 17,75. Já o salário semanal médio caiu 0,1%, para US$ 598,18.
Recessão
Os dados de hoje devem alimentar os temores entre economistas e investidores de uma recessão nos EUA. O desempenho fraco do mercado de trabalho chega dois dias depois de o Departamento do Comércio ter anunciado que a economia americana cresceu apenas 0,6% no quarto trimestre de 2007, contra uma expectativa de expansão de 1,2%.
O Federal Reserve (Fed, o BC americano), no mesmo dia do anúncio da estimativa do PIB (Produto Interno Bruto), reduziu sua taxa de juros para 3% ao ano (corte de 0,50 ponto percentual), pouco mais de uma semana depois de ter efetuado um corte de 0,75 ponto percentual.
Na nota divulgada após a decisão, o Fed diz que vê "algum enfraquecimento" no mercado de trabalho e destaca a turbulência nos mercados financeiros, causada pela crise no setor imobiliário residencial.
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