Dinheiro
01/02/2008 - 18h48

Presidente da Infraero defende abertura de capital da estatal

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente da Infraero, Sergio Gaudenzi, defendeu nesta sexta-feira a abertura de capital da empresa estatal que administra os aeroportos brasileiros. Ele, no entanto, disse ser contra a privatização de alguns aeroportos.

"Não há definição e nem estudos de definição. Sou francamente favorável à abertura de capital, porque a Infraero funciona como uma grande autarquia. Temos todas as teias e limitações da administração direta. Diria que é impossível administrar 67 aeroportos em um continente de 8,5 milhões de quilômetros quadrados como uma autarquia. Não há exemplo no mundo", afirmou.

Gaudenzi ressaltou que a Infraero deve ser, de fato, uma empresa, sem que se perca o controle estatal. Ele citou a Petrobras como exemplo do modelo por ele defendido.

"A injeção de capital oxigena a empresa, enseja uma fiscalização pró-ativa, que é a fiscalização do acionista. Ele fiscaliza de maneira muito mais eficaz do que qualquer órgão fiscalizador", ressaltou.

Com a abertura de capital, Gaudenzi mencionou que a Infraero poderá se internacionalizar, passando a operar em outros países. Atualmente, o estatuto da companhia não permite isso.

"A Infraero tem uma expertise na área que permite isso. A América do Sul é um mercado óbvio, diria que a África, que começa a usar muito a aviação, também. Teremos chance de levar a empresa a operar em outros países", observou.

Gaudenzi disse que a Infraero "não gostaria e lutaria para não perder equipamentos como o Galeão e o Santos Dumont". Ele fez o comentário ao analisar a declaração do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que pediu ao ministro Nelson Jobim (Defesa) a privatização do aeroporto internacional Tom Jobim.

Segundo ele, esses aeroportos estão entre os poucos rentáveis que são administrados pela Infraero. Na visão de Gaudenzi, a iniciativa privada só iria se interessar por esse conjunto de aeroportos.

"Dos 67 aeroportos que administramos, vamos dizer que dez são rentáveis. Se esticarmos um pouco mais, podemos chegar a 15. Se a privatização for iniciada, na hora vamos ter grupos brigando por esses rentáveis. Ninguém vai querer pegar o aeroporto no meio da Amazônia. Mas o pessoal que está lá precisa do aeroporto", comentou.

O presidente da Infraero acrescentou que é preciso "ter muito cuidado com a idéia de privatização". Ele revelou-se favorável à possibilidade de que empresas privadas possam construir novos aeroportos.

Sergio Gaudenzi não citou o volume de recursos que a Infraero pretende investir neste ano, mas admitiu que deverão superar os R$ 573 milhões utilizados ao longo de 2007.

 

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