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Dinheiro
04/02/2008 - 10h11

Graduado ocupa emprego de nível médio

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da Folha Online

Profissionais com graduação têm disputado vagas no mercado de trabalho que exigem apenas nível médio --e em alguns casos, o limite de exigência é apenas o ensino fundamental. Isso ocorre devido à expansão do ensino superior sem o crescimento correspondente de vagas para esses novos graduados no mercado de trabalho, informam os repórteres Elvira Lobato e Antônio Gois, na edição desta segunda-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

O fenômeno é visível principalmente em concursos públicos, mas aparece na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), diz o texto.

Segundo a reportagem, hoje um em cada 20 carteiros tem superior completo, segundo os Correios; na Guarda Municipal do Rio de Janeiro, 480 dos 5.563 guardas têm diploma universitário e 32 têm pós-graduação; na Polícia Militar de São Paulo, há 3.935 soldados, cabos e sargentos com nível superior e 12 com mestrado ou doutorado; e mesmo na Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro), entre os 12.377 garis, há 37 com nível superior.

O excesso de oferta de graduados no país também provoca outro fenômeno: a migração de brasileiros com alto nível de instrução para Europa e América do Norte --fenômeno chamado de fuga de cérebros.

De 1996 a 2006, o número de brasileiros que receberam visto dos Estados Unidos dado somente a profissionais de alta qualificação aumentou 185%. De 1990 a 2000, quase dobrou (de 1,7% para 3,3%) a proporção de brasileiros com nível superior vivendo nos 30 países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

"Nos anos 80, a vasta maioria de brasileiros que vinha para cá entrava ilegalmente, tinha baixa qualificação ou eram profissionais que chegavam como turistas, mas acabavam estendendo a estadia e trabalhando sem permissão em empregos não condizentes com sua formação, como professores lavando prato em restaurantes", disse à Folha em dezembro o professor da Universidade Estadual de Bowling Green (Ohio), Franklin Goza.

Ele define a atual migração brasileira para lá como bi-modal. O fluxo de ilegais ainda é grande --no ano passado, os brasileiros perderam apenas para os mexicanos entre os que foram apreendidos na fronteira--, mas cresceu significativamente o número de profissionais em situação legal.

 

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