Bush propõe orçamento com déficit recorde, por gastos militares e economia
da Folha Online
O presidente dos EUA, George W. Bush, apresentou nesta segunda-feira uma proposta orçamentária que prevê um déficit de US$ 400 bilhões, devido aos gastos com a guerra do Iraque e o plano de reativação da economia. Esse orçamento é válido para o período entre outubro deste ano e setembro de 2009.
"Nosso orçamento protege os Estados Unidos e anima o crescimento econômico. O Congresso deve aprová-lo", afirmou Bush, durante a reunião de gabinete para discutir o projeto.
Um dos principais pontos da proposta orçamentária é o plano de reativação da economia, que prevê cortes de receitas de US$ 125 bilhões em 2008 e outros US$ 20 bilhões em 2009.
A questão militar, no entanto, também possui um grande peso: a Casa Branca solicitou mais US$ 70 bilhões para as guerras do Iraque e do Afeganistão.
Os gastos correntes do Pentágono são recordes: US$ 515 bilhões, um alta de 74% sobre o orçamento de 2001, segundo informe da Casa Branca.
Superávit
Até a chegada de Bush à Casa Branca, o orçamento era superavitário, mas os programas de redução de impostos, a luta contra o terrorismo e as conseqüências da recessão de 2001 cobraram um alto preço. O déficit cresceu anualmente até o recorde de US$ 413 bilhões em 2004, antes de cair novamente.
A proposta de Bush recebeu críticas dos democratas. O deputado John Spratt, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, afirmou, por meio de um comunicado, que o "orçamento apresentado hoje tem todas as características do legado de Bush: leva a maiores déficits, mais dívida, mais cortes de impostos e mais reduções em serviços essenciais".
O orçamento de Bush foi recebido com reservas inclusive por alguns republicanos. "Esse orçamento deve ser visto por eles [o governo] mais como um exercício acadêmico, porque isso não é sério", comentou o senador Judd Gregg, o republicano que é um membro sênior do Comitê do Orçamento.
Com France Presse e Reuters
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