Francês acusado de fraude diz que não será "bode expiatório"
da Folha Online
O corretor francês, Jérôme Kerviel, 31, afirmou que não será "bode expiatório" no processo que investiga a fraude que provocou perdas bilionárias no banco Société Générale.
"Fui indicado [como único responsável] pela Société Générale. Assumo minha parte de responsabilidade mas não serei bode expiatório da Société Générale", afirmou o corretor, que participou hoje de mais audiência do processo.
Em sua primeira entrevista à imprensa, Kerviel afirmou ainda que se perde "a noção do dinheiro quando se está imerso nesse trabalho", mas evitou entrar em detalhes sobre o escândalo financeiro.
"Não sou nem um suicida nem um depressivo", acrescentou o corretor, dizendo que as informações já publicadas na imprensa são "opressivas", mas que em nenhum momento pensou em "ruir". "Há muitas coisas que fazer. Há muita desinformação na imprensa", disse ele.
O corretor foi acusado pelo banco Société Générale de armar uma fraude que provocou perdas de US$ 7,1 bilhões, valor que supera a soma dos lucros dos bancos Itaú e Bradesco nos nove primeiros meses de 2007. Instituição centenário da Europa, o banco francês alega que Kerviel assumiu uma posição de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 73 bilhões) no mercado de derivativos --muito acima do que tinha autoridade para fazer.
Posteriormente, o banco admitiu que deveria ter monitorado melhor os valores nominais das posições assumidas por Kerviel, e não apenas os valores líquidos de sua carteira, diz o documento.
Com France Presse
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