Fipe espera nova queda da inflação para 0,3% em fevereiro
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
Atualizada às 14h42
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP) aposta em nova desaceleração dos preços em São Paulo em fevereiro. Após ficar em 0,52% em janeiro, ante 0,82% em dezembro, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) deve fechar em 0,3% neste mês.
A variação menor dos preços dos alimentos, principal fator a segurar o índice no mês passado, deve se manter em fevereiro. A previsão é de inflação de 0,39% no grupo, ante 1,04% em janeiro.
"Alimentação foi a maior surpresa em janeiro, com uma taxa abaixo do esperado [alta de 1,5%]. Carnes bovinas ajudou bastante, com deflação de 0,65%. (...) A segunda fonte de surpresa veio de produtos in natura, que é muito sensível à chuva e estávamos mais pessimistas. A variação de in natura foi de 2,4%, mas melhor ainda que prevíamos", disse o coordenador da pesquisa da Fipe, Márcio Nakane.
Para fevereiro, o cenário é ainda mais positivo para o grupo Alimentação, por conta da queda de preços dos produtos in natura e de carne bovina na ponta (última apuração do mês de janeiro frente a última de dezembro), com variação negativa de 2,63% e 1,98%, respectivamente.
Segundo Nakane, a deflação em carnes bovinas em janeiro ainda não teve efeito do embargo da UE (União Européia) para o produto. Para ele, o impacto poderá ser percebido em fevereiro, caso haja alguma variação de preços no atacado.
Já o grupo de Transportes deve registrar, segundo as estimativas da Fipe, a maior alta de preços neste mês, de 0,86% (em janeiro foi de 0,29%). Segundo Nakane, a projeção conta com o aumento do preço dos bilhetes do metrô de São Paulo em fevereiro, de 4,2% em média.
O IPC para o grupo Habitação também deve ser maior em fevereiro, a 0,19%, ante deflação de 0,01% em janeiro. "O repasse de energia elétrica, por conta de PIS, Cofins e Pasep, e o pagamento do IPTU devem pressionar o grupo", explicou Nakane.
Para Despesas Pessoais, a Fipe prevê desaceleração em fevereiro para 0,1%, ante 0,8% de janeiro, com a menor pressão sobre o índice das viagens de férias e Carnaval. Em Vestuário, os preços devem cair 0,82% em fevereiro após também registrar deflação de 0,85% em janeiro.
O grupo Educação deve acelerar 0,22% em fevereiro, após pressionar o IPC de janeiro, quando subiu 4,39% em janeiro, por conta do início do ano letivo. A estimativa para fevereiro no grupo Saúde é de inflação de 0,45%, ante 0,36% de janeiro.
Feijão x tomate
O tomate desbancou a liderança do feijão, verificada em dezembro, entre os produtos com maior alta de preço em janeiro. "O feijão ainda não está em deflação, mas em franca desaceleração", informou Nakane. A variação de 7,19% do preço do feijão garantiu a quarta colocação entre as maiores altas de preços e impacto de 6,3% no índice geral.
A inflação em janeiro do preço do feijão, no entanto, é bastante inferior a de dezembro do ano passado, quando foi de 42,34%, a maior variação no mês desde maio de 1998. No acumulado de 12 meses (janeiro de 2008 contra fevereiro de 2007), a inflação é de 171,57% para o produto.
Líder das maiores altas de preços em janeiro, o preço do tomate subiu 36,5% --contribuição de 13,54% na composição do IPC. No acumulado de 12 meses (janeiro de 2008 contra fevereiro de 2007), no entanto, a inflação é de 1,76%. "O aumento em janeiro foi típico da natureza dos produtos in natura, que têm variabilidade muito forte", afirmou Nakane
Ainda na lista das maiores altas de preços em janeiro estão gastos com Ensino Fundamental (variação de 6,02% ante dezembro) e com Ensino Superior (4,26%), na segunda e terceira posição.
Entre os produtos que registraram maiores reduções de preços, e com impacto expressivo na composição do IPC, estão energia elétrica (-1,24%), batata (-8,03%), alface (-10%), calça de mulher (-3,9%) e condomínio (-0,46%).
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