Dinheiro
08/02/2008 - 14h47

Bears Stearns corta 1.400 funcionários após primeiro prejuízo trimestral

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da Folha Online

O banco americano de investimentos Bear Stearns irá gerir seus custos de modo "agressivo", antecipando-se assim a condições de mercado ainda mais difíceis, disse nesta sexta-feira o diretor-financeiro do banco, Sam Molinaro. Entre as medidas já adotadas pelo banco está a demissão de cerca de 10% em seu quadro de funcionários (ou seja, cerca de 1.400 funcionários).

Os cortes ocorreram principalmente em suas operações de financiamentos residenciais imobiliários. Além do corte de funcionários, o banco conseguiu aumentar sua liquidez a fim de conseguir resistir melhor a crises e reforçou seus procedimentos de gerenciamento de risco.

O Bear Stearns teve seu primeiro prejuízo trimestral, de US$ 854 milhões (de US$ 6,90 por ação), no período encerrado no dia 30 de novembro, contra um lucro líquido de US$ 563 milhões um ano antes. O prejuízo ocorreu devido à redução de US$ 1,9 bilhão em seus ativos ligados ao setor imobiliário --em particular as hipotecas.

Segundo Molinaro, 2007 foi "um ano que gostaríamos de esquecer no Bear Stearns". Para o diretor, as atuais condições do mercado financeiro indicam que 2008 será "um ano muito difícil" para a divisão de renda fixa do banco.

O diretor ainda informou que o Bear conseguiu reduzir sua exposição aos papéis ligados a créditos de risco no segundo semestre do ano passado. No fim de novembro, a exposição total do banco a hipotecas e outros títulos lastreados em CDOs ("collateralized debt obligations", títulos de dívida lastreados em outros ativos) caiu de US$ 2 bilhões para US$ 755 milhões.

"Fomos claramente muito lentos em reconhecer o impacto do mercado 'subprime' [de maior risco]", disse. "Acreditávamos que o ambiente seria mais contido."

O Bear e outros gigantes do setor financeiro mundial, como Citigroup, UBS, Morgan Stanley e Merrill Lynch já registraram bilhões em perdas com a atual crise de crédito nos EUA. O Citi registrou um prejuízo líquido de US$ 9,83 bilhões no quarto trimestre; o suíço UBS informou no fim de janeiro que deve anunciar um prejuízo recorde referente a 2007. O banco elevou sua previsão de perdas nos valores dos ativos ligados ao mercado de crédito de risco de US$ 10 bilhões para US$ 14 bilhões.

O Merrill Lynch já anunciou um prejuízo líquido de US$ 9,8 bilhões no quarto trimestre do ano passado, com o peso da perda de US$ 11,5 bilhões no valor de títulos ligados ao mercado de créditos de risco.

 

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