França determina prisão de operador do Société Générale acusado de fraude
da Folha Online
Uma corte de Paris determinou que o operador do banco francês Société Générale Jérôme Kerviel, acusado de ser o responsável por um esquema de fraude que custou ao banco uma perda de mais de US$ 7 bilhões, fique sob custódia da polícia enquanto as investigações do caso prosseguem.
A decisão da Justiça, de que Kerviel aguarde atrás das grades o prosseguimento das investigações, veio a pedido da Promotoria, que se diz preocupada com a possibilidade de que o operador poderia entrar em contato com eventuais cúmplices e comprometer o trabalho das autoridades.
Nesta sexta-feira, a polícia da França começou a interrogar um segundo operador suspeito de ter conhecimento da fraude. Segundo o jornal "Le Monde", o segundo operador trabalhava para uma afiliada do SocGen, antes chamada Fimat, e agora chamada Newedge.
O texto diz ainda que o banco forneceu novas provas à polícia, de que Kerviel enviou uma mensagem para o segundo operador sobre o sistema de computadores do banco --a mensagem (enviada em 30 de novembro) diz: "Você não fez nada ilegal nos termos da lei".
A porta-voz do Société Générale Joelle Rosello confirmou que o segundo operador foi levado sob custódia, segundo a agência de notícias Associated Press. "estamos cooperando de perto com a polícia", afirmou.
A fraude de que o Société Générale (um dos mais lucrativos bancos europeus, fundado há 140 anos) foi alvo, no valor de US$ 7 bilhões, supera a soma dos lucros dos bancos Itaú e Bradesco nos nove primeiros meses de 2007. O banco alega que Kerviel assumiu uma posição de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 73 bilhões) no mercado de derivativos --muito acima do que tinha autoridade para fazer.
O golpe ocorreu com operações com papéis chamados de "plain vanilla" --instrumento financeiro de tipo mais simples, em geral na forma de opções de ações, títulos ou contratos futuros. Kerviel abusou, assim, do acesso que tinha a informações sobre os sistemas de segurança do grupo.
O operador, por sua vez, alega que seus superiores sabiam do que ele fazia e preferiram não tomar conhecimento de suas operações. Os advogados de Jerômé Kerviel afirmaram que a instituição quer, com o caso, levantar uma cortina de fumaça para encobrir perdas maiores, principalmente com créditos imobiliários "subprime" (de alto risco) dos EUA.
No mês passado, após a divulgação da fraude, Kerviel chegou a ficar detido para interrogatório mas foi liberado poucos dias depois; o advogado dele alegou que não havia motivo para a prisão, uma vez que não havia o risco de ele fugir do país.
Demissão
O presidente do banco, Daniel Bouton, foi mantido em seu cargo por decisão unânime do Conselho de Administração da instituição, mesmo tendo pedido demissão. A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, no entanto, já disse que o Socgen deveria demiti-lo.
Nesta semana, a ministra disse a um comitê parlamentar, ao apresentar um relatório sobre o caso, que alguns dos controles internos do banco Société Générale falharam ou não foram levados em consideração antes do golpe.
"Claramente, alguns mecanismos [de controle interno] não funcionaram", disse Lagarde. "E os que funcionaram nem sempre foram seguidos de mudanças apropriadas."
O relatório foi resultado de uma das diversas investigações sobre as operações de Kerviel e como ele teria conseguido usar brechas nos sistemas do Société Générale para realizar operações de risco.
O banco deveria ter monitorado melhor os valores nominais das posições assumidas por Kerviel, e não apenas os valores líquidos de sua carteira, diz o documento. A ministra informou ainda que o banco deixou passar diversos alertas --em particular um que foi emitido em novembro do ano passado pela Eurex --a principal Bolsa européia de derivativos.
Compra
O rival BNP Paribas (maior banco francês) admitiu que, como outras entidades financeiras européias, estuda uma oferta de compra sobre o Société Générale. Segundo o jornal econômico francês "Les Echos", o BNP criou uma equipe de conselheiros que trabalha no projeto.
A Comissão Européia (braço executivo da União Européia) pediu que a França não interfira em potenciais candidatos à compra do banco, que o governo francês quer proteger em meio à crise.
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