Dinheiro
11/02/2008 - 11h36

Solução para crise financeira tem de ser global e coordenada, diz FMI

da Folha Online

O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, disse nesta segunda-feira que a crise em curso nos mercados financeiros mundiais exige uma solução global, e que já há sinais de coordenação entre o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e o BCE (Banco Central Europeu).

"Todos devem se preparar para uma ação que têm de ser coordenada porque, mais uma vez, não existe solução local para um problema global", disse Strauss-Kahn, segundo a agência de notícias Reuters. "Estamos em um mundo globalizado e problemas globais exigem soluções globais."

No fim de semana, em encontro em Tóquio (Japão), ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do G7 (grupo dos sete países mais industrializados: Japão, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Itália e França) disseram que a economia americana deve escapar de uma recessão neste ano, mas é preciso mais esforços para restaurar o bom funcionamento dos mercados.

Segundo o diretor do Fundo, a desaceleração econômica nos EUA será significativa e irá durar por algum tempo. Ele afirmou ainda que os elos financeiros entre países desenvolvidos e emergentes podem causar complicações também para estes últimos, se a situação piorar.

"O problema é que hoje nós temos incertezas desconhecidas", afirmou. "As ligações entre o setor financeiro e a economia real, entre países desenvolvidos e emergentes, são muito mais complexos do que já foram antes."

EUA

A crise imobiliária que atinge os EUA atualmente se agravou no ano passado, com o crescimento nas hipotecas conhecidas como "subprime" (de maior risco). A crise causou turbulências nos mercados financeiros mundiais e ainda não há previsão para que a situação volte ao clima de estabilidade pré-crise porque anda não se sabe quanto os principais bancos mundiais ainda poderão perder.

Nos últimos meses, gigantes como Citigroup, JP Morgan, Merrill Lynch e UBS já anunciaram perdas de bilhões de dólares. A crise no setor imobiliário americano também fez com que a economia americana tivesse uma desaceleração de 4,9% no terceiro trimestre de 2007 para 0,6% no quarto. A expectativa é de que no primeiro trimestre deste ano o PIB (Produto Interno Bruto mostre um desempenho negativo).

O Fed já reduziu sua taxa de juros cinco vezes deste setembro do ano passado (em janeiro deste ano foram dois cortes, um fora do calendário regular), de 5,25% para 3% no período. O Senado americano também aprovou uma proposta de pacote de estímulo fiscal, para incentivar o consumo nos EUA e evitar a recessão (cerca de 70% de toda a atividade econômica americana é movimentada pelo consumo).

Já o BCE manteve na semana passada a taxa de juros na zona do euro em 4%. O presidente do banco, Jean-Claude Trichet, disse que existem "riscos em alta para a estabilidade dos preços a médio prazo na zona do euro" e qualificou de "saudáveis" os dados econômicos fundamentais.

 

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