Itaú projeta queda de receita com tarifas neste ano
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
As receitas com tarifas bancárias do Itaú devem ter desempenho negativo neste ano, segundo o presidente do Banco, Roberto Setubal. O resultado deverá ser afetado pelo pacote de medidas do governo federal, anunciado no final do ano passado, que prevê prazo de reajuste (no mínimo a cada seis meses) de tarifas e isenção de algumas delas.
A receita de conta corrente (tarifas) representa 20% das receitas totais de serviços, que inclui também corretagem, mercado de seguro e de ações, entre outros.
"Vai ser um pouco negativo [serviços de conta corrente]. A gente espera ampliar a base de clientes, que em parte compensa isso. Não temos um número final, não estamos divulgando isso ainda. Estamos preparando como vamos praticar nossa nova política de tarifas em linha com a resolução do conselho monetário", explicou Setubal.
Os resultados das receitas totais de serviços, no entanto, deverão fechar o ano com variação positiva, no entanto. "Nós acreditamos que o crescimento das demais linhas, de fundos de investimento, os restantes 80% devem manter o total de serviço com crescimento positivo".
Padronização
Entre as medidas anunciadas pelo governo --em vigor a partir do dia 30 de abril de 2008-- estão a padronização da nomenclatura de serviços, o fim da cobrança de uma taxa para liquidação antecipada de novos contratos de crédito e uma fórmula de cálculo para estes pagamentos.
Na resolução que tratará do assunto, fica estabelecido que os bancos só poderão cobrar por serviços liberados pelo governo. Eles foram divididos em quatro categorias: serviços essenciais, prioritários, especiais e diferenciais.
A que divide em quatro categorias os itens que hoje são alvos de tarifas também determina quais deverão ser gratuitas --as chamadas essenciais--, que incluem o fim da cobrança pela emissão de cheques de baixo valor.
Recorde
O Itaú divulgou hoje lucro líquido consolidado em 2007 de R$ 8,474 bilhões --96,66% maior que o registrado de 2006, quando lucrou R$ 4,309 bilhões. Com o resultado de hoje superou o Bradesco (que teve em 2007 um lucro de R$ 8,010 bilhões) e estabeleceu um novo recorde para um banco no país.
Segundo a consultoria Economática, o ganho foi o maior já registrado por um banco brasileiro de capital aberto nos últimos 20 anos. O espanhol Santander também já anunciou lucro de R$ 1,86 bilhão em 2007.
A carteira de crédito do banco --incluindo avais e fianças-- teve crescimento de 36,2% em relação a igual período do ano anterior, atingindo R$ 127,589 bilhões. No Brasil, a carteira de crédito livre de pessoa física cresceu 34,8% no ano, chegando a R$ 54,416 bilhões e o segmento de micro, pequenas e médias empresas cresceu 34% em relação a dezembro de 2006, totalizando R$ 21,769 bilhões.
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