Dinheiro
13/02/2008 - 09h46

Desemprego nas seis principais metrópoles do país cai para 15,5% em 2007

Publicidade

YGOR SALLES
da Folha Online

A taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do país --Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo-- fechou 2007 com queda de 1,3 ponto percentual, de 16,8% em 2006, para 15,5%, segundo dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgada nesta quarta-feira.

Trata-se da menor taxa da série histórica da pesquisa, iniciada em 1998.

No ano passado, o contingente de desempregados nas seis regiões foi estimado em 3,005 milhões de pessoas, 180 mil a menos que em 2006. Já o número de ocupados nas seis regiões foi calculado em 16,364 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa) em 19,37 milhões.

"O desemprego cai há oito meses seguidos. E cai mesmo com o aumento da PEA, senão a queda teria sido maior", disse Alexandre Loloian, coordenador técnico da equipe de análise da Fundação Seade.

A PEA avançou, segundo ele, principalmente com a redução de 14% no número de pessoas desempregadas por desalento (que tinham desistido de procurar emprego). "Isso mostra que o crescimento constante da economia faz com que elas acreditem de novo que podem arrumar ocupação", explica.

A taxa de desemprego caiu em todas as regiões metropolitanas pesquisadas. O destaque ficou para Belo Horizonte, onde a taxa caiu 11,6%, para 12,2% --a mais baixa entre elas. A metrópole com maior taxa de desemprego é Recife, com 21,7%. Em São Paulo ficou em 14,8%.

A construção civil foi, segundo o estudo, uma das principais responsáveis pela redução. O número de pessoas ocupadas pelo setor subiu 8,2% no ano --de 806 mil em 2006 para 872 mil em 2007. Já em termos absolutos, o setor de serviços é quem mais contribuiu, com 316 mil pessoas empregadas a mais, com total de 8,76 milhões de pessoas.

"A coqueluche do ano foi a construção civil. Ela cresceu, por exemplo, 4% em dezembro, quando normalmente o setor demite nessa época por causa da entrada do período de chuvas", analisou Loloian.

No acumulado das seis regiões metropolitanas pesquisadas em dezembro, o contingente de desempregados ficou em 2,797 milhões --87 mil a menos que em novembro. Com isso, a taxa de desemprego caiu de 14,6% em novembro para 14,2% em dezembro. No mês, o nível de ocupação cresceu 0,8%. O contingente em São Paulo foi estimado em 1,402 milhão --68 mil a menos do que em novembro. O nível de ocupação (8,981 milhões) em São Paulo em dezembro cresceu 1,1% em relação ao mês anterior (8,884 milhões).

Renda

No conjunto das seis regiões, o rendimento médio real dos ocupados e o dos assalariados registrou alta de 1,3% e 0,9%, respectivamente. Em valores monetários, os rendimentos passaram a R$ 1.066 e R$ 1.142.

Em São Paulo, o rendimento médio real dos ocupados e assalariados diminuiu entre outubro e novembro de 2007. A renda dos ocupados caiu 0,6%, para R$ 1.144, e a dos assalariados caiu 0,7%, para R$ 1.201.

Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, os principais fatores que colaboram para uma estagnação do salário médio em São Paulo é a ainda alta quantidade de desempregados, a maior dificuldade dos sindicatos em negociar aumentos reais e a maior contratação de pessoas com funções com menor qualificação.

Ele destacou ainda o crescimento vigoroso da contratação por carteira assinada. Ela avançou 6,7% no ano, enquanto que o total de assalariados cresceu 3,5%. "Basta a economia crescer sustentadamente para aumentar a carteira assinada", disse.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca