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Dinheiro
13/02/2008 - 15h09

Preços de cereais e grãos devem subir apesar de alta na produção, diz FAO

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da Folha Online

A produção de cereais e grãos no mundo neste ano deve ter um crescimento significativo, devido a condições climáticas favoráveis e o plantio durante o inverno na Europa e nos EUA, mas os preços nos mercados internacionais devem se manter altos --ou mesmo subir ainda mais-- com as pressões da demanda e a incerteza sobre os estoques.

A estimativa consta do relatório "Previsões de Safra e Situação da Alimentação", da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), divulgado nesta quarta-feira.

Mesmo com a safra mundial em níveis recorde, os preços também não devem ceder tão cedo, em razão da demanda mundial crescente. De acordo com o relatório, os preços do trigo no mercado internacional em janeiro deste ano registraram uma alta de 83% em relação ao verificado um ano antes.

A FAO estima que as importações de cereais em países de baixa renda e com déficit de alimentos devem ter um declínio de cerca de 2% em volume neste ano, mas os gastos com a compra de cereais deve subir 35% pelo segundo ano consecutivo (com uma estimativa de aumento ainda maior para os países da África) devido à alta nos preços.

Segundo o relatório, 36 países enfrentam crises de escassez de alimentos atualmente.

Para reduzir o impacto dos preços altos dos cereais sobre os produtos alimentícios, governos de países importadores e exportadores devem adotar medidas como redução de tarifas de importação, elevação dos subsídios aos alimentos e controle de exportações através de eliminação ou imposição de taxas, conforme o caso.

"Os altos preços dos alimentos e as incertezas do mercado se tornaram grandes preocupações globais e o amplo acesso a informações e análises atualizadas está se tornado um fator crítico", disse Henri Josserand, do sistema de informações da FAO.

Para a América do Sul, a expectativa da FAO é de safras de milho satisfatórias neste ano, mas para a Argentina a situação ainda é de incerteza. Na Bolívia as enchentes afetaram mais de 42 mil famílias, que ficaram em situação de emergência e causaram a perda, parcial ou total, de muitas áreas cultivadas do país.

Nos países do sul da África a expectativa é de safras satisfatórias, apesar de enchentes na região. Na Ásia --em particular na China, Mongólia, no Afeganistão e no Tadjiquistão--, as temperaturas extremamente baixas causaram perdas de safras e de rebanhos.

 

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