Leilão da Cesp desperta o interesse de 12 empresas
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O leilão de privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) já despertou o interesse individual de 12 empresas. Todas elas passaram pelo "data room", uma central de dados contábeis e financeiros, aberto aos potenciais interessados em comprar a empresa.
Entre os interessados estão a ítalo-espanhola Enel/Endesa, a espanhola Iberdrola/Neoenergia, a franco-belga Suez/Tractebel, a portuguesa EDP (Energias de Portugal), e as brasileiras CPFL Energia e a Light.
Também passaram pelo "data room" dois dos maiores fundos de "private equity" (de participações em empresas) americanos, KKR (Kohlberg Kravis Roberts) e Blackstone --que entraram na gestão de geradoras dos EUA após o colapso da Enron--, e o brasileiro Pátria.
Além do interesse no negócio em si, o acesso ao "data room" é uma oportunidade única para conhecer dados estratégicos de um futuro concorrente.
Sozinhas ou em conjunto, essas empresas devem formar pelo menos três consórcios para disputar a compra da Cesp, um dos maiores negócios do ano no setor elétrico e que deve trazer ao Brasil a tendência de consolidação iniciada na Europa.
A francesa Suez, que comprou a belga Tractebel, deve entrar na disputa com a Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola. No Brasil, a Suez/ Tractebel controla a antiga Gerasul, maior geradora privada de energia. Já a Neoenergia atua em Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte.
Outro consórcio deve ser formado pela ítalo-espanhola Enel/Endesa, com uma possível adesão da portuguesa EDP, dona no país das distribuidoras Bandeirante (SP), Enersul (MS) e Escelsa (ES).
Um terceiro consórcio deve ser formado pela CPFL, distribuidora paulista, com capital da Votorantim, Camargo Corrêa, Bradesco, Previ, entre outros. Também corre por fora a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), apesar de a modelagem da privatização ter informado que não vai permitir a participação de estatais. A Light, empresa em que a Cemig tem participação, já teve acesso ao "data room" da Cesp.
Os fundos americanos podem entrar representando os interesses da Ashmore, empresa sucessora da Enron e que controla a distribuidora paulista Elektro. As mesmas empresas devem disputar também o leilão da parte do BNDESPar na Brasiliana, dona da Eletropaulo, Tietê e Uruguaiana. A venda do controle da Brasiliana, avaliada em mais de R$ 10 bilhões, deve acontecer também no primeiro trimestre e concorre pelos mesmos investidores.
Na avaliação da corretora Ativa, o negócio deve sair pouco acima do preço mínimo, e o governo paulista deve conseguir vender com facilidade sua parte na Cesp por mais de R$ 7 bilhões. A expectativa da corretora é que a Cesp vá a leilão ao preço equivalente de R$ 50 por ação PNB, o que levaria o preço mínimo para mais de R$ 6,15 bilhões. Ontem, esses papéis fecharam a R$ 45,20, com alta de 3,66%.
O preço mínimo e o lote das ações que vão a leilão --há dúvidas se a participação de 5,73% do Metrô será vendida-- serão conhecidos nos próximos dias, quando for publicado o edital de privatização. O governo paulista acerta os detalhes finais.
Uma liminar expedida no último dia 14 em Anaurilândia (MS) determina que o edital só seja publicado após a realização de uma audiência pública na cidade. A Procuradoria do Estado afirma que ainda não foi notificada sobre essa liminar.
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