Economia japonesa cresce 3,7% no quarto trimestre de 2007
da Folha Online
O Japão cresceu 3,7% no quarto trimestre de 2007 (terceiro trimestre do ano fiscal japonês, que acaba em março), com o qual soma dois trimestres seguidos de expansão e afasta, pelo menos por enquanto, o fantasma da recessão que atinge outras economias mundiais.
O número de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) divulgado nesta quinta-feira pelo governo japonês é muito superior ao previsto pelos analistas e foi muito bem recebido durante todo o pregão de hoje na Bolsa de Tóquio, que fechou com uma forte alta de 4,27%.
Opiniões de analistas citados pela agência local "Kyodo" esperavam que o crescimento da segunda maior economia do mundo fosse de 1,5% em termos anuais e de 0,4% com relação ao trimestre anterior.
No entanto, o resultado duplicou as previsões mais otimistas. O aumento do PIB do Japão com relação ao trimestre anterior foi de 0,9% entre outubro e dezembro.
Em termos nominais, nos quais não é considerada a inflação, a economia japonesa cresceu 0,3% nesse mesmo período em relação no trimestre anterior e 1,2% se comparado ao mesmo período do ano anterior.
E, se for considerado todo o ano de 2007, a segunda maior economia do mundo cresceu a um ritmo anual de 2,1%, até fechar seu oitavo ano consecutivo de expansão.
O bom resultado se deveu principalmente ao forte crescimento das exportações e do investimento corporativo.
A exportação de produtos japoneses cresceu 2,9% entre outubro e dezembro, contra apenas 0,5% de aumento das importações. Já o crescimento do investimento corporativo foi de 2,9%. Também subiu o consumo, que representa dois terços do PIB, embora em menor medida, em dois décimos.
No entanto, entre outubro e dezembro, houve reduções no investimento no setor de imóveis (9,1%), e no gasto público, embora bem menos, 0,7%.
O bom resultado do PIB entre outubro e dezembro se soma ao crescimento revisado de 1,3% do trimestre anterior, contra uma redução de 0,5% entre abril e junho --o que acalma, pelo menos por enquanto, as autoridades japonesas.
No entanto, a ministra da Economia, Hiroko Ota, afirmou, após a divulgação dos dados que a economia japonesa se mostrou "inesperadamente forte", mas enfrenta "crescentes riscos de baixa expansão", devido à situação dos Estados Unidos, o aumento do preço do petróleo e a crise no setor de habitação.
No sábado, o Grupo dos Sete (G7, que reúne as sete nações mais desenvolvidas do mundo) alertou em Tóquio que a recessão mundial que se aproxima é maior do que a prevista e que a situação pode piorar.
O principal setor atingido seria o de habitação nos EUA, catalisador da crise americana, e que leva ao país a ameaça da crise financeira.
O G7 afirmou que poderia adotar iniciativas conjuntas para enfrentar uma crise global, mas evitou marcar o caminho a ser seguido com medidas monetárias ou fiscais.
Hoje mesmo teve início em Tóquio uma reunião de dois dias do Banco do Japão (BOJ) destinada a analisar a situação da taxa de juros, atualmente em 0,50%.
Embora no Japão o preço do dinheiro seja o mais baixo dentre todas as grandes áreas monetárias, não se espera que o BOJ decida amanhã alterar a taxa de juros, nem mesmo após ser divulgado que o crescimento econômico japonês foi muito superior ao esperado.
Talvez como mensagem ao BOJ, como já fez em outras ocasiões, o Governo japonês lançou esta advertência de que a economia do país, por enquanto, cresce e vai em frente, mas ainda segue enfrentando "riscos em baixa".
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