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Dinheiro
14/02/2008 - 15h35

Saiba mais sobre a Halliburton

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

O grupo norte-americano Halliburton atua principalmente na área de infra-estrutura voltada para o setor petrolífero, mas também em outras áreas, como logística para operações militares. A empresa ficou em 100º lugar no ranking das 500 maiores empresas dos EUA em 2007, elaborado pela revista "Fortune", com um valor de mercado de US$ 31,054 bilhões (valor até 23 de março).

Hoje a Petrobras informou que dados sigilosos sobre pesquisas sísmicas (que podem incluir a descoberta de petróleo e gás) foram furtados de um contêiner, que era transportado pela Halliburton. A Halliburton, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.

O grupo que daria origem à Halliburton, Brown & Root, foi estabelecido em 1919 e oficializado em 1924, no Estado de Delaware (costa leste dos EUA), pelos irmãos George e Herman Brown e pelo cunhado dos dois, Dan Root, e atuavam na área de pavimentação de estradas e de produção de cimento. Logo passaram, no entanto, à produção de plataformas petrolíferas, barragens e represas e construção de navios militares.

Richard Carson/Reuters
A Halliburton, que vem sendo investigada por contratos sem licitação no Iraque
A Halliburton, que vem sendo investigada por contratos sem licitação no Iraque

Em 1962, a Brown & Root foi adquirida pela Halliburton Company, de Earl Halliburton, empresa que atuava na construção de poços de petróleo e na prestação de serviços para o setor petrolífero. A Halliburton desenvolveu um processo de cimentar as paredes dos poços, de maneira a impedir a infiltração de água e outros fluidos durante o processo de extração.

"Por quase um século, a Halliburton tem deixado uma marca indelével no mundo", afirma a própria Halliburton em seu histórico, em sua página na internet. De fato, desde a invasão americana no Iraque --onde ganhou uma série de contratos de construção--, a empresa tem ocupado lugar de destaque na imprensa internacional.

Parte expressiva desse destaque vem do fato de que Dick Cheney, o vice-presidente dos EUA, já comandou a empresa. Cheney já foi chamado de "Darth Vader" (o vilão dos filmes da série "Guerra nas Estrelas" produzidos entre o final dos anos 70 e meados dos 80) pela pré-candidata à presidência dos EUA, senadora por Nova York e ex-primeira-dama, Hillary Clinton.

Syed Jan Sabawoon/Efe
O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, que já presidiu a Halliburton
O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, que já presidiu a Halliburton

A fama de Cheney dificilmente pode ser considerada imerecida: o comitê de Assuntos Governamentais do Senado investiga o vice-presidente por conta de contratos de até US$ 15 bilhões obtidos no Iraque para a Halliburton, a maior parte sem concorrência. O FBI (polícia federal) também investiga se há irregularidade em contratos dados sem licitação pelo Departamento da Defesa à Halliburton no Iraque.

Em 2003, a receita da empresa registrou um aumento de 30%, que chegou a US$ 16 bilhões, com os contratos militares obtidos para atuar no Oriente Médio. Já no primeiro trimestre de 2004, a empresa faturou 80% a mais que no mesmo período de 2003 e suas ações dispararam. Acusada de superfaturar preços no Iraque, a Halliburton já foi condenada a devolver US$ 36 milhões ao governo dos EUA.

Mesmo com a investigação, em 2005 o Pentágono concedeu um contrato de logística de cerca de US$ 5 bilhões à Halliburton no Iraque. O contrato entre o Exército dos Estados Unidos e a Kellogg Brown and Root (KBR, à época uma subsidiária da Halliburton), foi assinado em maio daquele ano. As empresas se separaram no ano passado.

Cheney deixou a empresa em 2000 para concorrer a vice-presidência. Ele recebeu US$ 20 milhões ao sair da empresa e outros US$ 2 milhões quando já estava na Casa Branca.

A Halliburton também é alvo constante quando ocorrem protestos contra a presença militar americana no Iraque. Existe até um site dedicado a documentar casos de corrupção e denúncias envolvendo a empresa, o www.halliburtonwatch.org.

Comentários dos leitores
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
caros , fiz um comentário que mais uma vez nao foi publicado. creio que deveria haver um 'log' de comentários nao publicados, incluindo o nome do usuário mas nao incluindo o comentário em si, e explicando o porque nao foi publicado.
Entendo que haja precaucoes , especialmente desde o caso da igreja universal, mas a forma presente , que nao identifica comentarios nao publicados nao é transparente. por favor, tornem o processo de aprovacao/nao aprovacao MAIS transparente.
obrigado.
José Renato
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José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
Que conveniente encontrarem um esquema de roubo de lap tops. Como no caso de Celson Daniel , a polícia fica ansiosa para justificar o 'crime comum'. Uma vergonha um delegado da Polícia Federal decidir pelo crime comum, sabendo que há bandidos que aceitam dinheiro para assumir 'broncas'. Falta só falar que todo mundo na Petrobrás transporta lap tops em caminhoes, junto com talao de cheque e blackberry. Práticas normais no mundo dos negócios.
Nunca houve tantos crimes comuns no Brasil relacionados a política como no Governo Lula.
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Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Com que então guilhotinaram a guilhotina da Abin. Que pena. Mas se era uma concorrência dirigida - a única que se tem notícia (sic) - fizeram muito bem. Afinal, ninguém deve duvidar da retidão desse sistema de Pregão Eletrônico.
Antigamente tinhamos um Serviço Nacional de Informações, SNI, que era um serviço que procurava por informações estratégicas. Agora temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, que deve ser a agência que procura inteligência. Que, pelo visto, anda difícil de encontrar...
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