Petrobras descarta aceitar redução do volume importado da Bolívia
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A Petrobras descartou a possibilidade de redução da demanda de gás natural prevista no contrato de importação entre Brasil e Bolívia. A direção da estatal reuniu-se nesta quinta-feira com o vice-presidente boliviano, Álvaro Garcia Linera, na sede da companhia, no Rioo.
Linera afirmou na última quarta-feira que iria discutir com a Petrobras a possibilidade de limitar o fornecimento de volume entre 27 milhões a 29 milhões de metros cúbicos/dia --essa é a média histórica de importação do gás boliviano.
O contrato que rege o Gasbol (Gasoduto Bolívia-Brasil) prevê que o Brasil poderá importar até 32 milhões de metros cúbicos/dia, havia informado o vice-presidente. Ele veio ao Brasil acompanhado do ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas.
A idéia da Bolívia é balancear o fornecimento de gás entre Brasil e Argentina, dentro do possível. O não-atendimento deste volume que deixaria de vir para o Brasil seria destinado à Argentina, onde há iminente escassez do combustível.
"Os volumes de consumo médio histórico que o Brasil usa do gás boliviano estão absolutamente garantidos e não estão em debate. O que está em debate são volumes novos de gás, além dos volumes médios históricos", disse ontem Linera, em Brasília.
Por meio de nota, a Petrobras classificou o encontro como um avanço nas negociações entre a estatal e o governo boliviano. Além da questão do fornecimento de gás, foram discutidos os investimentos da empresa na Bolívia. Entre eles, estão os recursos previstos para os campos de San Alberto e San Antonio, que já tem produção regular, e atividades de exploração no campo de Ingre, que já foram iniciadas.
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