Dinheiro
15/02/2008 - 09h48

Furto de dados da Petrobras leva Planalto a "congelar" licitação

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da Folha de S.Paulo, em Brasília
da Folha Online

A ordem dentro do governo é não promover nenhuma licitação para exploração das reservas de petróleo dos campos de Tupi e Júpiter até que a Polícia Federal esclareça o furto dos computadores da Petrobras.

As licitações das duas áreas já estavam suspensas desde que a Petrobras divulgou suas descobertas de um megacampo de petróleo na camada pré-sal naquela região. Vão continuar na gaveta até a conclusão das investigações.

O temor dentro do governo é que os dados dos computadores, que podem conter informações sigilosas sobre localização e extensão dos poços de Tupi e Júpiter, caiam nas mãos de empresas interessadas em explorá-los. Isso poderia conferir vantagem para essas empresas no processo de licitação.

Na época, o governo suspendeu as licitações para reavaliar as regras da concessão das áreas, já que o potencial de exploração era muito maior do que o imaginado inicialmente. O objetivo é adotar mecanismos que permitam ao governo ficar com parte da produção do petróleo explorado ou o equivalente em faturamento.

O presidente Lula, que já sabia do furto, não quis comentar o assunto e afirmou que se "informaria melhor". Ontem, Lula e Dilma conversaram sobre o assunto com o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli.

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) também trocou telefonemas com Gabrielli, que ficou responsável de tomar as medidas para tentar reaver os computadores.

Inquérito

A Polícia Federal confirmou ontem a abertura de inquérito para investigar o furto dos dois notebooks e um disco rígido com informações sobre atividades da Petrobras. A PF informou que trabalha com duas hipóteses: roubo simples ou espionagem industrial.

Segundo a estatal petrolífera, as informações contidas no material --que era levado dentro de um contêiner transportado entre Santos (SP) e Macaé (RJ)-- são "estratégicas e sigilosas".

Por meio de nota, a Petrobras informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo já confirmado pela PF, o contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton --a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.

A delegada da PF em Macaé, Carla Dolinski, afirmou que o caso está sendo apurado desde a última quinta-feira (dia 7), apesar de o furto ter sido informado no dia 1º de fevereiro, e que as informações prestadas até agora pela Petrobras são insuficientes.

O contêiner estava em um navio que partiu do porto de Santos (SP) no dia 18 de janeiro em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois, quando seguranças perceberam que o cadeado do contêiner tinha sido violado. Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas.

A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.

Espionagem

Dolinski explicou que a PF trabalha com duas hipóteses para o caso. A primeira seria o furto com objetivo de espionagem para obtenção de informações estratégicas. A outra seria um furto simples.

A PF realizou perícia no contêiner, cujo resultado não foi concluído. Carla Dolinski admitiu, contudo, que as chances de se conseguir informações por meio desta perícia são reduzidas, uma vez que o local não teria sido preservado.

A estatal não informou detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. A Petrobras também evitou comentar detalhes do furto, mas disse que possui cópias das informações.

Tupi

Anunciado em novembro do ano passado, o campo de Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.

O roubo ganha gravidade caso realmente se confirme que o contêiner tinha informações sobre Tupi. Devido à dimensão de suas possíveis reservas, o megacampo mexe com o mercado há meses.

Recentemente, as ações da estatal tiveram forte oscilação, após a empresa britânica BG Group (parceira do Brasil no campo, com 25%) ter divulgado nota estimando uma capacidade entre 12 bilhões e 30 bilhões de barris de petróleo equivalente em Tupi. A portuguesa Galp (10% do projeto) confirmou o número.

As reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Ou seja, se a nova estimativa estiver correta, Tupi tem potencial para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser extraído do subsolo brasileiro.

Comentários dos leitores
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
caros , fiz um comentário que mais uma vez nao foi publicado. creio que deveria haver um 'log' de comentários nao publicados, incluindo o nome do usuário mas nao incluindo o comentário em si, e explicando o porque nao foi publicado.
Entendo que haja precaucoes , especialmente desde o caso da igreja universal, mas a forma presente , que nao identifica comentarios nao publicados nao é transparente. por favor, tornem o processo de aprovacao/nao aprovacao MAIS transparente.
obrigado.
José Renato
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José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
Que conveniente encontrarem um esquema de roubo de lap tops. Como no caso de Celson Daniel , a polícia fica ansiosa para justificar o 'crime comum'. Uma vergonha um delegado da Polícia Federal decidir pelo crime comum, sabendo que há bandidos que aceitam dinheiro para assumir 'broncas'. Falta só falar que todo mundo na Petrobrás transporta lap tops em caminhoes, junto com talao de cheque e blackberry. Práticas normais no mundo dos negócios.
Nunca houve tantos crimes comuns no Brasil relacionados a política como no Governo Lula.
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Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Com que então guilhotinaram a guilhotina da Abin. Que pena. Mas se era uma concorrência dirigida - a única que se tem notícia (sic) - fizeram muito bem. Afinal, ninguém deve duvidar da retidão desse sistema de Pregão Eletrônico.
Antigamente tinhamos um Serviço Nacional de Informações, SNI, que era um serviço que procurava por informações estratégicas. Agora temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, que deve ser a agência que procura inteligência. Que, pelo visto, anda difícil de encontrar...
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