Confiança do consumidor nos EUA atinge menor nível desde 1992
da Folha Online
O índice de confiança do consumidor americano, apurado pela Universidade de Michigan, recuou para 69,6 pontos neste mês, contra 78,4 em janeiro, segundo dados preliminares divulgados nesta sexta-feira. O índice é o menor desde fevereiro de 1992.
A expectativa dos economistas era de que o índice fosse recuar para 76 pontos. O resultado negativo da abertura de novas vagas no mercado de trabalho em janeiro (quando 17 mil vagas foram fechadas, segundo o Departamento do Trabalho) e a alta nos preços da gasolina afetou a confiança dos consumidores neste mês, de acordo com os dados da universidade.
O dado também chega depois de o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, ter dito ontem que a economia americana ainda está exposta a riscos de desaceleração devido aos efeitos da crise nos mercados imobiliário e de crédito.
Mesmo sinalizando que novos cortes na taxa de juros do banco possa estar a caminho, os investidores viram com algum pessimismo a declaração do presidente do Fed de que "os riscos de baixa no crescimento permanecem, incluindo a possibilidade de que o mercado imobiliário ou o mercado de crédito possam se deteriorar em um nível além do atualmente previsto, ou que as condições de crédito possam se estreitar ainda mais".
No quarto trimestre do ano passado a economia do país cresceu apenas 0,6%, após uma alta de 4,9% um trimestre antes.
O Fed cortou sua taxa de juros cinco vezes desde setembro do ano passado (de 5,25% para 3%) a fim de baratear o crédito e levar os consumidores às compras, a fim de evitar uma recessão nos EUA (cerca de 70% de toda a atividade econômica dos EUA é movimentada pelo consumo).
Vendas no varejo
O dado de hoje contrasta com a relativa boa disposição dos consumidores americanos vista em janeiro: nesta semana, o Departamento do Comércio informou que as vendas no varejo nos EUA cresceram 0,3% em janeiro --o que surpreendeu os economistas, após a queda de 0,4% registrada em dezembro e a expectativa de que o início deste ano fosse ser marcada por mais um desempenho negativo.
A expectativa era de um novo declínio, de 0,3%, no mês passado. Mesmo assim, diante do quadro de desaceleração da economia americana, a expectativa para os próximos meses é de que o consumo dos americanos venha a declinar.
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