Chance de recessão nos EUA é de ao menos 50%, diz Greenspan
da Folha Online
O ex-presidente Federal Reserve (Fed, o BC americano) Alan Greenspan disse nesta quinta-feira (14) que a chance de os Estados Unidos caírem em uma recessão é de ao menos 50% e que a situação de crise no mercado imobiliário americano não irá melhorar até que os preços dos imóveis atinjam seu ponto mais baixo.
"Estamos à beira [da recessão], [a chance é de] 50% ou mais", disse Greenspan, durante uma conferência em Houston. Segundo ele, os fatores que podem jogar o país na recessão são um aperto maior nas condições de acesso a linhas de crédito e financiamento e uma desaceleração nos gastos do consumidor.
Quanto aos gastos dos consumidores, os dados ainda não oferecem uma visão clara de qual poderá ser o cenário: as vendas no varejo nos EUA cresceram 0,3% em janeiro, após queda de 0,4% em dezembro (a expectativa era de um novo declínio, de 0,3%, no mês passado).
Hoje, no entanto, a Universidade de Michigan informou que seu índice de confiança do consumidor recuou para 69,6 pontos neste mês, contra 78,4 em janeiro, segundo dados preliminares divulgados hoje. O índice é o menor desde fevereiro de 1992. A expectativa era de um recuo menor, para 76 pontos.
Se não fosse pelo fato de as empresas estarem tão bem supridas de capital (devido às baixas taxas de juros nos últimos anos), a economia já estaria em recessão, disse Greenspan. Para ele, a situação só irá se estabilizar no mercado financeiro global quando os preços dos imóveis nos EUA pararem de cair e os bancos puderem fazer uma estimativa precisa de quanto dinheiro perderam com o setor de hipotecas "subprime" (de maior risco).
Greenspan já alertava sobre a situação do mercado imobiliário em 2005; naquele ano ele disse que o "boom" do setor imobiliário americano iria acabar, "inevitavelmente". No ano passado, as vendas de imóveis residenciais novos no país tiveram uma queda de 26,4% (o pior resultado desde a queda de 23,1% registrada em 1980), e as vendas de casas usadas caíram 12,8% (pior resultado desde 1982, quando a queda foi de 17,7%).
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