Mercado monitora contaminação da crise dos EUA, diz Meirelles
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nessa segunda-feira que o mercado volta suas atenções, neste momento, para acompanhar os efeitos da crise de crédito hipotecário de alto risco dos Estados Unidos sobre outros mercados, como o "prime" (de baixíssimo risco).
"O que está se discutindo é até que ponto uma crise de inadimplência que começou no mercado subprime americano vai se espalhar para outros mercados. Por exemplo, o mercado prime, com tomadores de empréstimo hipotecários com renda, salários e condições de pagamento e que podem ser prejudicados pela situação global, ou de créditos muito alavancados, como o securitizações", informou Meirelles.
O presidente do BC, que participou da entrega do prêmio Qualidade em Bancos, na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), afirmou que a crise de crédito dos EUA ainda está em fase de desdobramento, sem definições sobre o impacto na economia real.
"Não há dúvidas que a crise norte-americana está sendo desdobrada e os efeitos dela na economia real não são ainda totalmente conhecidos porque não se sabe qual o efeito das perdas no sistema financeiro norte-americano e o efeito disso na capacidade de os bancos norte-americanos continuarem emprestando e atendendo a necessidade de crédito daquela economia", disse.
Meirelles voltou a dizer que nenhum país está imune às turbulências dos mercados internacionais, mas que o Brasil está melhor preparado para enfrentá-las. Ele reafirmou também que o BC poderá tomar medidas preventivas, se necessário, para evitar um "desequilíbrio futuro" no mercado financeiro.
"O mundo hoje é global e interdependente. O que acontece é que o Brasil está mais preparado do que estava no passado e que muitos países estão ainda hoje. Não há dúvidas que o Brasil, hoje, com as reservas internacionais, com uma inflação consistente e trajetória de metas como tem sido nos últimos anos (...) tudo isso faz parte de um conjunto de estruturas econômicas mais sólidas", acrescentou.
Meirelles também destacou o perfil de crescimento da economia brasileira, baseada na demanda doméstica --crédito, renda e emprego-- e não somente nas exportações. "O Brasil também tem um mercado de exportação diversificado. Tudo isso dá condições ao Brasil de enfrentar as turbulências."
Produtividade
Durante o discurso do prêmio Qualidade em Bancos, entregue ao Bradesco, Meirelles disse que a produtividade das empresas vai definir o crescimento do país.
"A busca da excelência, da qualidade, da produtividade é o que, em última análise, define o crescimento de um país. Mas não vamos crescer baseados meramente em política macro-econômica, que bem sucedidas, dá condições para investimentos. (...) O que vai definir a capacidade de um país de crescer mais rápido ou mais devagar é o aumento da produtividade dos indivíduos e das empresas."
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