Governo fala em "fragilidade" no transporte de dados sigilosos da Petrobras
da Folha Online
Atualizada às 18h
O governo federal admitiu nesta segunda-feira a fragilidade da segurança no transporte de dados sigilosos da Petrobras, evidenciada pelo furto de informações da petrolífera estatal ocorrido no início do mês e confirmado na semana passada.
"As investigações [sobre o furto] já estão em andamento e, independentemente da motivação do crime, elas revestem-se de importância, em função da possível fragilidade do sistema de segurança para o transporte de informações reservadas que o episódio evidenciou", afirma um comunicado assinado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Jorge Armando Felix --eles se reuniram hoje em Brasília para discutir o caso.
Ainda segundo o comunicado, na reunião --da qual também participou o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa-- foi oficializada uma parceria entre a PF e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para investigar o furto dos dados.
A PF de Macaé (RJ) já havia confirmado na sexta-feira que os materiais furtados continham informações sigilosas da Petrobras que vinham de uma sonda que estava na Bacia de Santos --o que aumenta a possibilidade das informações serem sobre a região do pré-sal, onde estão concentradas as recentes grandes descobertas anunciadas pela estatal.
É na camada pré-sal, situada em águas ultraprofundas, a mais de 5 mil metros de profundidade, que estão as reservas de Tupi e Júpiter. A primeira é estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). Já Júpiter tem grande potencial de gás natural, que podem tornar o país auto-suficiente na produção do insumo energético.
Apesar das investigações estarem correndo em segredo de Justiça, a direção da Polícia Federal foi autorizada a destacar um responsável por informar a imprensa sobre a questão, "nos precisos limites em que tais elementos não prejudiquem as investigações e mantenham informada a sociedade brasileira."
Associação
Na sexta-feira, em entrevista à Folha Online, o presidente da Aepet (Associação de Engenheiros da Petrobras), Fernando Siqueira, disse que o Brasil precisa melhorar a segurança das informações de pesquisas relativas a essas áreas e das próprias plataformas.
"A Marinha não tem condições de vigiar nossas plataformas, e o nosso sistema de segurança de dados precisa ser revisto. As recentes descobertas vão atrair a cobiça de outros mesmo", afirmou.
Em função desse quadro, Siqueira disse que o roubo de dados sigilosos da Petrobras não o surpreendeu. Segundo ele, de um ano e meio para cá, foram constatados roubos de laptops nas casas de técnicos da Petrobras, em Macaé. É na cidade situada no Norte do Rio de Janeiro que a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos.
Furto
O contêiner do qual as informações (em quatro laptops e dois discos rígidos) foram furtadas estava em um navio que partiu do porto de Santos (SP, na Bacia de Santos) no dia 18 de janeiro em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense. O contêiner chegou 12 dias depois --foi quando seguranças perceberam que o cadeado tinha sido violado.
Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas. Ainda não se sabe, porém, em que trecho do trajeto teria ocorrido o furto.
A Petrobras não fez mais comentários a respeito do caso. Por meio de nota, apenas, a estatal informou que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo já confirmado pela PF, o contêiner era da norte-americana Halliburton --a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.
Leia mais
- Para perícia da PF, furto da Petrobras foi crime comum
- Polícia Federal não enviou reforço no caso de furto na Petrobras
- Polícia toma 1º depoimento 15 dias após queixa
- Planalto acredita que furto na Petrobras é questão de Estado
- Segurança de dados da Petrobras é falho, diz presidente da Aepet
- Dados da Petrobras furtados vinham de sonda na Bacia de Santos
Especial


Entendo que haja precaucoes , especialmente desde o caso da igreja universal, mas a forma presente , que nao identifica comentarios nao publicados nao é transparente. por favor, tornem o processo de aprovacao/nao aprovacao MAIS transparente.
obrigado.
José Renato
avalie fechar
Nunca houve tantos crimes comuns no Brasil relacionados a política como no Governo Lula.
avalie fechar
Antigamente tinhamos um Serviço Nacional de Informações, SNI, que era um serviço que procurava por informações estratégicas. Agora temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, que deve ser a agência que procura inteligência. Que, pelo visto, anda difícil de encontrar...
avalie fechar