Dinheiro
18/02/2008 - 17h19

Governo fala em "fragilidade" no transporte de dados sigilosos da Petrobras

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da Folha Online

Atualizada às 18h

O governo federal admitiu nesta segunda-feira a fragilidade da segurança no transporte de dados sigilosos da Petrobras, evidenciada pelo furto de informações da petrolífera estatal ocorrido no início do mês e confirmado na semana passada.

"As investigações [sobre o furto] já estão em andamento e, independentemente da motivação do crime, elas revestem-se de importância, em função da possível fragilidade do sistema de segurança para o transporte de informações reservadas que o episódio evidenciou", afirma um comunicado assinado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Jorge Armando Felix --eles se reuniram hoje em Brasília para discutir o caso.

Ainda segundo o comunicado, na reunião --da qual também participou o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa-- foi oficializada uma parceria entre a PF e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para investigar o furto dos dados.

A PF de Macaé (RJ) já havia confirmado na sexta-feira que os materiais furtados continham informações sigilosas da Petrobras que vinham de uma sonda que estava na Bacia de Santos --o que aumenta a possibilidade das informações serem sobre a região do pré-sal, onde estão concentradas as recentes grandes descobertas anunciadas pela estatal.

É na camada pré-sal, situada em águas ultraprofundas, a mais de 5 mil metros de profundidade, que estão as reservas de Tupi e Júpiter. A primeira é estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). Já Júpiter tem grande potencial de gás natural, que podem tornar o país auto-suficiente na produção do insumo energético.

Apesar das investigações estarem correndo em segredo de Justiça, a direção da Polícia Federal foi autorizada a destacar um responsável por informar a imprensa sobre a questão, "nos precisos limites em que tais elementos não prejudiquem as investigações e mantenham informada a sociedade brasileira."

Associação

Na sexta-feira, em entrevista à Folha Online, o presidente da Aepet (Associação de Engenheiros da Petrobras), Fernando Siqueira, disse que o Brasil precisa melhorar a segurança das informações de pesquisas relativas a essas áreas e das próprias plataformas.

"A Marinha não tem condições de vigiar nossas plataformas, e o nosso sistema de segurança de dados precisa ser revisto. As recentes descobertas vão atrair a cobiça de outros mesmo", afirmou.

Em função desse quadro, Siqueira disse que o roubo de dados sigilosos da Petrobras não o surpreendeu. Segundo ele, de um ano e meio para cá, foram constatados roubos de laptops nas casas de técnicos da Petrobras, em Macaé. É na cidade situada no Norte do Rio de Janeiro que a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos.

Furto

O contêiner do qual as informações (em quatro laptops e dois discos rígidos) foram furtadas estava em um navio que partiu do porto de Santos (SP, na Bacia de Santos) no dia 18 de janeiro em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense. O contêiner chegou 12 dias depois --foi quando seguranças perceberam que o cadeado tinha sido violado.

Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas. Ainda não se sabe, porém, em que trecho do trajeto teria ocorrido o furto.

A Petrobras não fez mais comentários a respeito do caso. Por meio de nota, apenas, a estatal informou que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo já confirmado pela PF, o contêiner era da norte-americana Halliburton --a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.

Comentários dos leitores
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
caros , fiz um comentário que mais uma vez nao foi publicado. creio que deveria haver um 'log' de comentários nao publicados, incluindo o nome do usuário mas nao incluindo o comentário em si, e explicando o porque nao foi publicado.
Entendo que haja precaucoes , especialmente desde o caso da igreja universal, mas a forma presente , que nao identifica comentarios nao publicados nao é transparente. por favor, tornem o processo de aprovacao/nao aprovacao MAIS transparente.
obrigado.
José Renato
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José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
Que conveniente encontrarem um esquema de roubo de lap tops. Como no caso de Celson Daniel , a polícia fica ansiosa para justificar o 'crime comum'. Uma vergonha um delegado da Polícia Federal decidir pelo crime comum, sabendo que há bandidos que aceitam dinheiro para assumir 'broncas'. Falta só falar que todo mundo na Petrobrás transporta lap tops em caminhoes, junto com talao de cheque e blackberry. Práticas normais no mundo dos negócios.
Nunca houve tantos crimes comuns no Brasil relacionados a política como no Governo Lula.
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Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Com que então guilhotinaram a guilhotina da Abin. Que pena. Mas se era uma concorrência dirigida - a única que se tem notícia (sic) - fizeram muito bem. Afinal, ninguém deve duvidar da retidão desse sistema de Pregão Eletrônico.
Antigamente tinhamos um Serviço Nacional de Informações, SNI, que era um serviço que procurava por informações estratégicas. Agora temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, que deve ser a agência que procura inteligência. Que, pelo visto, anda difícil de encontrar...
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