Proposta da Vale pela Xstrata procura se adaptar à expectativa de mercado, diz Bradesco
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, disse nesta segunda-feira que a proposta da Vale --da qual a Bradespar é sócia-- para a compra da mineradora suíça Xstrata "procura de adaptar para corresponder à expectativa de mercado".
"Estamos procurando entender bem os acontecimentos e se adaptar para justamente corresponder à expectativa de mercado", disse Brandão, na cerimônia do Prêmio Qualidade em Bancos, realizada hoje na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).
Segundo ele, o preço a ser pago vai depender de que as "condições sejam compatíveis". "As condições precisam ser compatíveis. Depende da projeção que o pessoal técnico está avaliando agora. Tem de ser bem avaliado em função do que seja o desempenho previsto [da Xstrata]", afirmou Brandão.
Ele descartou haver uma definição sobre a negociação e uma postura definitiva da Bradespar em relação ao tema.
O valor a ser pago pela Vale é o principal motivo do entrave ao desfecho do negócio, segundo o jornal britânico "Financial Times", em edição da semana passada. A Vale oferece um valor de US$ 40 por ação, que totalizaria US$ 76 bilhões, enquanto a Xstrata quer US$ 45 por ação, teria dito ao jornal uma fonte próxima ao acordo. Já conforme o jornal "The Times", também britânico, a negociação entre a Vale e a Glencore, a principal acionista da Xstrata, soma 45 bilhões de libras esterlinas (cerca de US$ 90 bilhões).
O governo teme que a proposta da Vale possa colocar, no futuro, a mineradora brasileira em poder de estrangeiros. A empresa foi privatizada em 1997 e o governo tem ingerência nas decisões do conselho da Vale através do BNDESPar --braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Previ --fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil-- fazem parte do bloco controlador da Vale.
Dos US$ 90 bilhões que seriam pagos pela Xstrata, US$ 30 bilhões seriam em ações preferenciais da mineradora brasileira. Para a compra, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, deve obter financiamento de US$ 50 bilhões junto a um consórcio de bancos de investimentos liderado pelo HSBC e pelo Santander.
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