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Dinheiro
18/02/2008 - 18h15

Reajuste do preço do minério ajuda Vale na compra da Xstrata, diz analista

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

A notícia de que a Vale vai repassar um reajuste de 65% no preço do minério de ferro exportado para siderúrgicas asiáticas animou o mercado nesta segunda-feira. Além de ter projetado as ações da mineradora brasileira para valorização superior a 5% durante a sessão de hoje na Bovespa, a iniciativa foi vista como um estímulo à uma revisão, para cima, da oferta pela Xstrata.

"O repasse dos preços pode estimular a Vale a fazer uma oferta maior, já que terá mais dinheiro em caixa. Na próxima reunião do conselho da Vale, já pode sair um valor maior", disse o economista Clodoir Vieira, da corretora Souza Barros. "O reajuste deve melhorar os resultados da empresa. Os bancos que estão por trás do financiamento [de compra da Xstrata] podem ficar mais aliviados com a negociação, porque a Vale vai ter caixa, ainda que os financiamentos já estejam praticamente garantidos."

O valor a ser pago pela Vale é o principal motivo do entrave ao desfecho do negócio, segundo o jornal britânico "Financial Times", em edição da semana passada. A Vale oferece um valor de US$ 40 por ação, que totalizaria US$ 76 bilhões, enquanto a Xstrata quer US$ 45 por ação, teria dito ao jornal uma fonte próxima ao acordo. Já conforme o jornal "The Times", também britânico, a negociação entre a Vale e a Glencore, a principal acionista da Xstrata, soma 45 bilhões de libras esterlinas (cerca de US$ 90 bilhões).

"A Xstrata está avaliando as propostas. Estão pensando 'se posso pegar mais, por que vender por menos?'. E a oferta da Vale é muito boa, porque o dono da Xstrata vai continuar no negócio, com as ações que receberá do pagamento da Vale", avaliou Vieira.

Esse é justamente um dos temores do governo em relação à proposta da Vale e à possibilidade de a brasileira ficar em poder de estrangeiros. A empresa foi privatizada em 1997 e o governo tem ingerência nas decisões do conselho da Vale através do BNDESPar --braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Previ --fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil-- fazem parte do bloco controlador da Vale.

Dos US$ 90 bilhões que seriam pagos pela Xstrata, US$ 30 bilhões seriam em ações preferenciais da mineradora brasileira. Para a compra, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, deve obter financiamento de US$ 50 bilhões junto a um consórcio de bancos de investimentos liderado pelo HSBC e pelo Santander

 

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