Dinheiro
19/02/2008 - 11h06

PF descarta hipótese de crime comum em furto de dados Petrobras

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O Superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Valdinho Jacinto Caetano, descartou, nesta terça-feira, a hipótese de crime comum no caso do furto de dados sigilosos da Petrobras. Quatro notebooks e dois discos rígidos com informações estratégicas foram levados de um contêiner transportado pela norte-americana Halliburton no início deste mês.

Jacinto Caetano afirmou que "tudo indica" que o furto tenha sido "obra de espionagem industrial". "Havia mais equipamentos que foram deixados para trás. Essa forma de atuar indica que o roubo foi direcionado", disse o delegado.

"Havia material de escritório e laptops e se privilegiou o roubo desses, o que nos leva a descartar a hipótese de roubo comum. Até porque, em roubo comum, se leva o computador inteiro para utilização posterior e não o HD [disco rígido]. Quem procura o HD procura a informação nele contida", afirmou Caetano

O delegado criticou a segurança do sistema de transporte de dados importantes da estatal petrolífera. Na opinião de Caetano, ele é "falho".

"O sistema de segurança para esse material era bastante falho. Não havia forma de controle específica e havia muita gente que tinha acesso a esse tipo de informação. Para um escritório-contênier, a segurança era adequada, mas quando há informação privilegiada, a forma de segurança passou a ser inadequada."

Em entrevista coletiva a jornalistas, o delegado informou ainda que roubos e furtos de notebooks em contêineres da Petrobras vêm ocorrendo há mais de um ano. Segundo Caetano, os casos anteriores foram registrados na Polícia Civil porque a empresa não vislumbrou a intenção de se furtar informações consideradas qualificadas. "Isso vai ser trazido para a atual investigação para verificarmos se há ligação."

Depoimentos

O Superintendente da PF do Rio informou hoje que já foram ouvidas nove pessoas que tiveram contato com o contêiner --ainda não se sabe quantos pessoas, ao todo, tiveram acesso ao conteúdo transportado. Ele acrescentou que nas próximas semanas, mais 15 envolvidos prestarão depoimento no inquérito.

O delegado, porém, não informou quem será interrogado. O único nome ouvido até agora cuja identidade foi confirmada é do gerente setorial de proteção empresarial da Petrobras, Luis Lima Blanc, responsável por comunicar o furto à PF. Foi ele quem confirmou que as informações furtadas vinham de uma sonda na Bacia de Santos, em São Paulo, região das recentes megadescobertas das reservas de Tupi e Jupíter.

Em entrevista à imprensa hoje, no Rio, Caetano confirmou que todo o material furtado era da Halliburton, empresa terceirizada que fazia pesquisas para a Petrobras. A estatal brasileira, na semana passada, já havia informado que possui cópias de todos os dados, mas não especificou ao que eles se referiam.

45 pessoas

Apesar do governo tratar o furto de equipamentos da Petrobras como questão de Estado, os dados secretos da estatal que estavam em quatro notebooks desaparecidos entre a bacia de Santos e Macaé (cidade litorânea 188 km ao norte do Rio) viajavam em um contêiner que poderia ser aberto por pelo menos 45 pessoas, detentoras de cópias da chave.

Funcionários da Halliburton disseram a agentes da PF da Delegacia de Macaé, onde tramita o inquérito, que existe uma chave padrão para contêineres como o que levava os computadores portáteis e outros equipamentos de informática em meio a peças de escritório.

Comentários dos leitores
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
caros , fiz um comentário que mais uma vez nao foi publicado. creio que deveria haver um 'log' de comentários nao publicados, incluindo o nome do usuário mas nao incluindo o comentário em si, e explicando o porque nao foi publicado.
Entendo que haja precaucoes , especialmente desde o caso da igreja universal, mas a forma presente , que nao identifica comentarios nao publicados nao é transparente. por favor, tornem o processo de aprovacao/nao aprovacao MAIS transparente.
obrigado.
José Renato
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José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
Que conveniente encontrarem um esquema de roubo de lap tops. Como no caso de Celson Daniel , a polícia fica ansiosa para justificar o 'crime comum'. Uma vergonha um delegado da Polícia Federal decidir pelo crime comum, sabendo que há bandidos que aceitam dinheiro para assumir 'broncas'. Falta só falar que todo mundo na Petrobrás transporta lap tops em caminhoes, junto com talao de cheque e blackberry. Práticas normais no mundo dos negócios.
Nunca houve tantos crimes comuns no Brasil relacionados a política como no Governo Lula.
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Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Com que então guilhotinaram a guilhotina da Abin. Que pena. Mas se era uma concorrência dirigida - a única que se tem notícia (sic) - fizeram muito bem. Afinal, ninguém deve duvidar da retidão desse sistema de Pregão Eletrônico.
Antigamente tinhamos um Serviço Nacional de Informações, SNI, que era um serviço que procurava por informações estratégicas. Agora temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, que deve ser a agência que procura inteligência. Que, pelo visto, anda difícil de encontrar...
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