Bolsas européias fecham em baixa com quedas em bancos e telecomunicações
da Folha Online
As Bolsas européias fecharam em baixa nesta quarta-feira. Os temores dos investidores de que as instituições financeiras venham a registrar novas perdas causadas pelos problemas nos mercados de crédito mundiais possam afetar os lucros do setor e a inflação nos EUA em janeiro mantiveram os negócios em baixa hoje.
A Bolsa de Londres fechou em baixa de 1,23%, com 5.893,60 pontos; a Bolsa de Paris teve queda de 1,49%, ficando com 4.812,81 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve baixa de 1,47%, indo para 6.899,68 pontos; a Bolsa de Milão caiu 0,74%, para 25.820 pontos; a Bolsa de Amsterdã teve queda de 0,46%, fechando com 446,69 pontos; e a Bolsa de Zurique caiu 1,09%, para 7.381,58 pontos.
Hoje o Alliance & Leicester, um dos maiores bancos britânicos, registrou queda de 6,8% em seus papéis após informar que seu lucro em 2007 caiu cerca de um terço em relação ao de 2006 e que teve uma perda de US$ 360,4 milhões devido à sua exposição aos papéis ligados aos mercados de crédito.
Durante o dia os papéis da empresa chegaram a cair 19%, maior baixa desde que o banco lançou suas ações no mercado, em 1997.
As ações do Credit Agricole caíram 1,5%, depois que o jornal britânico "Financial Times" informou que o banco pode vir a anunciar uma nova redução no valor de seus ativos ligados a papéis dos mercados de risco no próximo dia 5 de março, quando deve anunciar seus resultados referentes a 2007. A redução pode chegar a US$ 957 milhões. O Credit Agricole não comentou a reportagem.
No setor de telecomunicações, as ações da Vodafone caíram 4,7% e as da Deutsche Telekom, 3,1%. Ontem, as americanas AT&T e Verizon Wireless (esta última é uma "joint venture" ente a Vodafone e a Verizon Communications) anunciaram planos de assinaturas que podem marcar o início de uma disputa por clientes no setor
O Credit Suisse reduziu sua classificação para os papéis da AT&T e da Verizon Communications, alegando que uma competição acirrada no setor e a expectativa de uma desaceleração econômica possa afetar os ganhso dasw duas empresas.
Também caíram os papéis das empresas aéreas, que temem que a alta do petróleo --que ontem fechou acima de US$ 100 pela primeira vez possa afetar os custos operacionais, ao tornar mais caro o combustível para as aeronaves. Entre as ações do setor que mais caíram estiveram as da British Airways (-3,3%).
Nos EUA, o Departamento do Trabalho informou hoje que a inflação ao consumidor em janeiro teve alta de 0,4%, com uma expansão de 0,3% no núcleo dos preços (que exclui alimentos e energia).
O Fed vem reduzindo seus juros a fim de baratear o crédito e estimular os consumidores a continuar gastando; uma vez que a economia americana tem no consumo cerca de 70% de sua atividade, uma queda nos gastos dos consumidores poderia ser o fator a levar o país para uma recessão. Com a pressão inflacionária, o temor entre analistas e investidores é que o Fed possa interromper os cortes, o que pode complicar ainda mais a situação econômica do país.
O BC americano cortou sua taxa de juros em 2,25 pontos percentuais entre setembro do ano passado e janeiro deste ano. A taxa hoje está em 3% ao ano.
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