Dinheiro
20/02/2008 - 16h42

PF diz que dados furtados da Petrobras eram de megacampo de gás

Publicidade

da Folha Online

A PF (Polícia Federal) informou nesta quarta-feira que os dados da Petrobras furtados de um contêiner vinham de uma sonda de perfuração responsável pela descoberta do megacampo de Júpiter, localizado na Bacia de Santos (SP). A reserva, anunciada no início deste ano, foi classificada como capaz de tornar o Brasil auto-suficiente em gás natural.

A sonda NS-21, conhecida também como Ocean Clipper, pertence à companhia americana Diamond, representada no Brasil pela filial Brasdrill. De acordo com a empresa, é uma das duas unidades contratadas pela Petrobras com capacidade para perfurar a camada pré-sal.

É na camada pré-sal, situada em águas ultraprofundas, a mais de 5 mil metros de profundidade, que estão as reservas de Tupi e Júpiter. A primeira é estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). Já Júpiter tem grande potencial de gás.

A área onde estão as reservas de Júpiter fica a 290 quilômetros da costa do Estado do Rio de Janeiro e a 37 quilômetros a leste da área de Tupi.

A área do pré-sal estende-se do Espírito Santo a Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos), numa extensão aproximada de 800 quilômetros.

Na semana passada, a PF já havia confirmado que os dados vinham da Bacia de Santos, mas agora sabe-se exatamente sobre o que as informações se referiam.

O contêiner do qual as informações foram furtadas estava em um navio que partiu do porto de Santos (SP, na Bacia de Santos) no dia 18 de janeiro (dia em que a sonda encerrou pesquisas no bloco BM-S-24) e chegou ao porto do Rio no dia 25. No dia 29, partiu para Macaé, município situado no Norte Fluminense onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos, em um caminhão da transportadora Transmagno, que monitora seus veículos por rastreador. O contêiner chegou ao seu destino no dia 30.

Funcionários perceberam alterações no lacre de segurança do contêiner apenas no dia 31, quando a Petrobras foi avisada e acionou uma investigação interna. Só depois disso, no dia 1º de fevereiro, o fato foi comunicado à PF, que abriu inquérito no dia 7.

Ainda não se sabe, porém, em que trecho do trajeto teria ocorrido o furto dos quatro laptops e dos discos rígidos com os dados.

Depoimentos

A delegada Carla Dolinski, da PF em Macaé, ouviu nesta quarta-feira três funcionários do setor de segurança da Petrobras. Funcionários da Halliburton (dona do contêiner) e Transmagno (empresa que fez o transporte por terra). Até agora, 17 pessoas foram ouvidas.

Ontem, o Superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Valdinho Jacinto Caetano, descartou a hipótese de crime comum e criticou a segurança do sistema de transporte de dados importantes da estatal petrolífera. Na opinião de Caetano, ele é 'falho'.

Comentários dos leitores
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 23h39
caros , fiz um comentário que mais uma vez nao foi publicado. creio que deveria haver um 'log' de comentários nao publicados, incluindo o nome do usuário mas nao incluindo o comentário em si, e explicando o porque nao foi publicado.
Entendo que haja precaucoes , especialmente desde o caso da igreja universal, mas a forma presente , que nao identifica comentarios nao publicados nao é transparente. por favor, tornem o processo de aprovacao/nao aprovacao MAIS transparente.
obrigado.
José Renato
7 opiniões
avalie fechar
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
José Renato Carollo (7) 29/02/2008 16h11
Que conveniente encontrarem um esquema de roubo de lap tops. Como no caso de Celson Daniel , a polícia fica ansiosa para justificar o 'crime comum'. Uma vergonha um delegado da Polícia Federal decidir pelo crime comum, sabendo que há bandidos que aceitam dinheiro para assumir 'broncas'. Falta só falar que todo mundo na Petrobrás transporta lap tops em caminhoes, junto com talao de cheque e blackberry. Práticas normais no mundo dos negócios.
Nunca houve tantos crimes comuns no Brasil relacionados a política como no Governo Lula.
7 opiniões
avalie fechar
Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Eduardo Petrucci Gigante (185) 29/02/2008 09h11
Com que então guilhotinaram a guilhotina da Abin. Que pena. Mas se era uma concorrência dirigida - a única que se tem notícia (sic) - fizeram muito bem. Afinal, ninguém deve duvidar da retidão desse sistema de Pregão Eletrônico.
Antigamente tinhamos um Serviço Nacional de Informações, SNI, que era um serviço que procurava por informações estratégicas. Agora temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, que deve ser a agência que procura inteligência. Que, pelo visto, anda difícil de encontrar...
5 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (174)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca