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Dinheiro
21/02/2008 - 10h07

Société Générale tem prejuízo de US$ 4,93 bi no quatro trimestre

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da Folha Online

O banco francês Société Générale (SocGen) informou nesta quinta-feira que encerrou o quarto trimestre do ano passado com um prejuízo de US$ 4,93 bilhões, contra um lucro de US$ 1,73 bilhão no mesmo período do ano passado. O resultado refletiu a perda com o esquema de fraude contra o banco descoberto no mês passado e os efeitos das reduções de valores em papéis ligados aos mercados de crédito.

A fraude custou ao banco uma perda de mais de US$ 7 bilhões. No ano como um todo, no entanto, o banco registrou um lucro de US$ 1,39 bilhão, abaixo do que foi visto em 2006, US$ 7,62 bilhões.

Segundo analistas, o SocGen precisa levantar capital para evitar a aproximação de ofertas hostis de compra --o rival francês BNP Paribas já admitiu que, como outras entidades financeiras européias, estuda uma oferta de compra sobre o banco.

No último dia 11, o banco lançou uma nova operação de ampliação de capital de US$ 8 bilhões para "reforçar o patrimônio da companhia", após a fraude cometida contra o banco pelo operador Jérôme Kerviel e descoberta no mês passado, segundo comunicado do banco.

Segundo o SocGen, serão oferecidas novas ações a US$ 69,13 --cerca de 39% abaixo do valor com que as ações do banco fecharam o pregão na sexta-feira (8), US$ 112,80. Os acionistas atuais do banco terão preferência na subscrição para a compra das novas ações e poderão adquirir uma ação nova para cada quatro das que já possuem.

"O Société Générale precisa ser bem sucedido nessa operação, que é necessária para preservar uma certa independência", disse à agência de notícias Associated Press (AP) o analista Axel Pierron, da Celent em Paris.

Fraude

A fraude de que o Société Générale (um dos mais lucrativos bancos europeus, fundado há 140 anos) foi alvo, no valor de US$ 7 bilhões, supera a soma dos lucros dos bancos Itaú e Bradesco nos nove primeiros meses de 2007. O banco alega que Kerviel assumiu uma posição de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 73 bilhões) no mercado de derivativos --muito acima do que tinha autoridade para fazer.

O golpe ocorreu com operações com papéis chamados de "plain vanilla" --instrumento financeiro de tipo mais simples, em geral na forma de opções de ações, títulos ou contratos futuros. Kerviel abusou, assim, do acesso que tinha a informações sobre os sistemas de segurança do grupo.

No início deste mês, uma corte de Paris determinou que Kerviel fique sob custódia da polícia enquanto as investigações do caso prosseguem. No mês passado, após a divulgação da fraude, o próprio Kerviel já havia sido detido para interrogatório mas foi liberado poucos dias depois; o advogado dele alegou que não havia motivo para a prisão, uma vez que não havia o risco de ele fugir do país.

Também na sexta-feira, a polícia da França começou a interrogar um segundo operador suspeito de ter conhecimento da fraude. Segundo o jornal "Le Monde", o segundo operador trabalhava para uma afiliada do Société Générale, antes chamada Fimat, e agora chamada Newedge.

Kerviel, no entanto, diz que seus superiores sabiam do que ele fazia e preferiram não tomar conhecimento de suas operações. Os advogados de Jerômé Kerviel afirmaram que a instituição quer, com o caso, levantar uma cortina de fumaça para encobrir perdas maiores, principalmente com créditos imobiliários "subprime" (de alto risco) dos EUA.

Demissão

O presidente do banco, Daniel Bouton, foi mantido em seu cargo por decisão unânime do Conselho de Administração da instituição, mesmo tendo pedido demissão. A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, no entanto, já disse que o Société Générale deveria demiti-lo.

A ministra disse a um comitê parlamentar, ao apresentar um relatório sobre o caso, que alguns dos controles internos do banco Société Générale falharam ou não foram levados em consideração antes do golpe. O relatório foi resultado de uma das diversas investigações sobre as operações de Kerviel e como ele teria conseguido usar brechas nos sistemas do Société Générale para realizar operações de risco.

O banco deveria ter monitorado melhor os valores nominais das posições assumidas por Kerviel, e não apenas os valores líquidos de sua carteira, diz o documento. A ministra informou ainda que o banco deixou passar diversos alertas --em particular um que foi emitido em novembro do ano passado pela Eurex --a principal Bolsa européia de derivativos.

 

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