Dinheiro
21/02/2008 - 18h49

Brasil como credor externo ajuda a passar por crise, diz Mantega

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse nesta quinta-feira que o fato de o país ter se tornado credor externo pela primeira vez --ou seja, ter dinheiro em caixa para quitar sua dívida externa-- será mantido nos próximos anos.

Ele destacou que em um momento de crise, o Brasil fica em situação mais confortável sendo credor. "Essa condição nos habilita a ter um papel de protagonista no mercado internacional", disse Mantega, acrescentando que o fato aproxima ainda mais a classificação de grau de investimento ("investment grade").

"[O Brasil como credor] demonstra a mudança sofrida nos últimos anos. O Brasil sempre foi devedor. Essa situação nos permite impor respeito ao longo de uma crise internacional de crédito", afirmou Mantega.

Segundo o ministro, as reservas brasileiras estão em US$ 188,5 bilhões, enquanto a dívida líquida total (pública e privada) está em US$ 184 bilhões. Deste total, US$ 68 bilhões são referentes à dívida pública.

"Portanto, o setor público não só é credor, como tem mais que o dobro daquilo que deve. Nós estamos em condições, também, de cobrir a divida privada se fosse necessário."

O ministro comentou ainda que o Brasil tem condições de atingiu o grau de investimento ao longo de 2008. Segundo ele, a situação de credor externo aliada às perspectivas de melhoria da balança comercial fazem com que o mercado "precifique" tal condição.

Mantega acrescentou que a nota deverá demorar mais tempo pela agência Moody's, que costumam ser mais conservadores. "Não é uma única agência, mas podemos estar mais pertos em uma e mais longe em outra. A Moody's, que é mais conservadora, analisa a dívida bruta e não a líquida, o que, ao meu ver, é um absurdo", afirmou.

Mantega explicou que o governo não tem qualquer meta sobre a margem de crédito externo. "A meta é continuar aumentando até chegar ao nível dos países emergentes, sem fazer nenhuma loucura", afirmou, citando como exemplo a Rússia, que tem reservas de US$ 400 bilhões.

Sobre a taxa básica de juros, a Selic, Mantega disse que irá continuar a cair no longo prazo. Segundo o ministro, a taxa nos próximos três anos vai caminhar em direção a dos países avançados.

 

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