Países desenvolvidos e emergentes criticam projeto da OMC para a indústria
da France Presse, em Genebra
O novo projeto da OMC (Organização Mundial do Comércio) para a venda de produtos industrializados não foi bem recebido pelos países-membros. Por motivos opostos, Norte e Sul criticaram o texto proposto nesta quinta-feira em Genebra.
A proposta --apresentada no início do mês pelo embaixador do Canadá, Don Stephenson-- foi criticada pelos países ricos, para quem o texto não obriga os grandes países emergentes a abrirem seus mercados, segundo fontes diplomáticas.
"Esse texto cria novas brechas e significa um passo para trás", disseram os representantes europeus na reunião, afirmando que Bruxelas não aceitaria um resultado que não passasse por uma redução das tarifas alfandegárias por parte dos países emergentes.
A UE (União Européia) também criticou a possibilidade de conceder um prazo de 15 anos para aplicar o possível acordo entre os membros mais recentes da OMC, como a China.
Por sua vez, os EUA alertaram que não o país não pode aceitar que as nações emergentes mantenham tarifas alfandegárias acima de 23%, limite proposto por Stephenson.
No outro extremo, os países emergentes acham que este limite é muito baixo para eles e acreditam que o documento é benevolente com os países ricos, que deveriam reduzir suas tarifas para 9%.
Segundo o Brasil, a última proposta da OMC é "desproporcional" e prejudica o Sul.
Se a OMC quiser encerrar a Rodada Doha antes do final do ano --com quatro anos de atraso em relação ao programa inicial--, deve conseguir um acordo para a liberalização do comércio de produtos industrializados antes de abril.
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