Polícia do Rio pára de apurar caso Petrobras
SERGIO TORRES
enviado especial da Folha de S.Paulo em Macaé (RJ)
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio determinou ao delegado Daniel Gomes que interrompa as investigações da 123ª DP (Delegacia de Polícia), em Macaé (cidade a 188 km do Rio), sobre o desaparecimento de equipamentos com supostas informações secretas da Petrobras.
Titular da delegacia estadual em Macaé, Gomes se preparava para intimar o supervisor Reginaldo Mattos, da empresa americana Halliburton, quando, no início da tarde, recebeu telefonema do chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro.
"Ele mandou que eu encaminhasse tudo sobre o caso para a delegacia da PF [Polícia Federal] em Macaé. A partir de agora, estou fora [da investigação]", afirmou o delegado.
O supervisor Mattos seria intimado, segundo o delegado, para esclarecer a razão de, no registro do furto apresentado à 123ª DP, em 1º de fevereiro, ter omitido que houve um caso anterior ao arrombamento do contêiner, conforme a Folha revelou na edição de ontem.
No registro, Mattos informou que todos os equipamentos roubados --quatro laptops, uma impressora, dois discos rígidos, dois pentes de memória, um computador clone e um gravador de DVD-- estavam dentro do contêiner, que deixara a bacia de Santos no dia 18 e chegara ao pátio da Halliburton em Macaé no dia 30.
No contêiner, que foi arrombado em local ainda ignorado do trajeto, estavam apenas os laptops e a impressora. As demais peças chegaram à Halliburton em uma caixa no dia 11 de janeiro. Quando o arrombamento do contêiner foi descoberto, os equipamentos que estavam na caixa já tinham sido furtados, conforme detalha o relatório da equipe de peritos da PF que examinou o local.
Indiciamento
Ao saber que o registro do furto na delegacia era uma farsa, o delegado anunciou que, em tese, poderia indiciar o supervisor da Halliburton por falsa comunicação de crime. O artigo 340 do Código Penal prevê condenação a detenção de um mês a seis meses, mais pagamento de multa, a quem dá informações falsas à polícia.
Como no boletim de ocorrência não existe menção a supostos dados sigilosos, o delegado Gomes diz que a apuração deveria seguir na Polícia Civil.
"A Petrobras é uma empresa de economia mista. Pela Constituição, a competência é da polícia estadual e da Justiça estadual", disse ele à Folha.
A ordem de encerrar as investigações partiu da Secretaria de Segurança. O secretário José Mariano Beltrame é delegado da PF cedido ao governo fluminense. O diretor-geral da PF é Luiz Fernando Corrêa. Os dois são amigos pessoais.
Para a direção da Polícia Federal, as peças de informática teriam sido levadas por pessoas envolvidas em um esquema de espionagem industrial.
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