Brasil e EUA fazem operação contra fraudadores do mercado financeiro
da Folha Online
A PF (Polícia Federal), em conjunto com autoridades norte-americanas, deflagrou hoje em dois Estados (São Paulo e Rio Grande do Sul) a "Operação Pirita". O objetivo é desmontar esquema que fraudava investidores do mercado financeiro (pessoas físicas e jurídicas) de vários países, principalmente Inglaterra, Espanha, Austrália, Estados Unidos e Ásia.
Segundo a PF, dez pessoas já foram presas. Ao todo, são cumpridos 27 mandados de prisão temporária, três mandados de prisão preventiva e 35 ordens de busca e apreensão. Nos EUA, o FBI já cumpriu dois mandados de prisão contra brasileiros em Miami.
Informações norte-americanas relatam que o grupo atuava há cinco anos, sendo três no Brasil, e tenha registrado lucros acima de US$ 50 milhões.
Em nota enviada à imprensa, a PF explicou que a quadrilha forjava sites de falsas empresas de fusões e aquisições, agências reguladoras americanas e asiáticas e diversos contratos e documentos para ludibriar estrangeiros possuidores de ações com baixa liquidez.
A partir de um "boiler room" (escritório especializado nesse tipo de fraude) situado em São Paulo, e recentemente transferido para Buenos Aires (Argentina), operadores de telemarketing de diversas nacionalidades, que se passavam por intermediadores, ofereciam condições irrecusáveis para compra destas ações.
Para concretizar o negócio exigia-se o depósito antecipado de taxas de corretagem e impostos, com a promessa de restituição do dinheiro. Quem caía no golpe, fazia o depósito em contas abertas nos Estados Unidos. Uma vez o dinheiro depositado, eram realizadas uma série de transferências para diversas outras contas, de forma sucessiva, com o intuito de apagar o rastro da origem do mesmo. Por fim, o dinheiro chegava às contas dos integrantes da organização em vários lugares do mundo, incluindo o Brasil, por meio de ação de doleiros.
Na lista de procurados estão doleiros, que auxiliavam a quadrilha a movimentar os valores e trazê-los ao Brasil foram mapeados, bem como os empresários e pessoas físicas que operacionalizavam a lavagem do dinheiro das vítimas.
Os principais crimes cometidos pela quadrilha são estelionato, evasão de divisas e operação de instituição financeira sem a competente autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Somadas, as penas podem chegar a 33 anos de prisão.
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