Saldo das operações do Brasil com o exterior tem o pior resultado desde 1998
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A conta de transações correntes do Brasil, que mede as operações do país com o exterior, apresentou em janeiro um saldo negativo de US$ 4,232 bilhões. O resultado ficou acima das projeções do Banco Central e também é o maior desde outubro de 1998, quando ficou deficitário em R$ 4,959 bilhões.
A principal razão desse saldo negativo foi a elevada quantia enviada ao exterior em forma de lucros, dividendos e juros.
"O resultado veio acima da expectativa do mercado pela menor saldo da balança comercial mas, principalmente, pelas remessas elevadas", explicou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, que previa um déficit de US$ 2,8 bilhões para o mês passado. Para fevereiro, a expectativa é de um déficit em conta corrente de US$ 1,7 bilhão.
Para Lopes, esses saldos negativos irão continuar e três fatores refletem esses resultados: a maior lucratividade das empresas, a taxa de câmbio e a necessidade de se cobrir posições no exterior.
Apesar da expectativa de déficit no ano (US$ 3,5 bilhões), Lopes avalia que não há motivo para preocupação, já que o Brasil tem como financiar esse saldo negativo com os investimentos estrangeiros no país.
"As fontes de financiamento são todas de recursos permanente. A despeito da saída de capital, temos empréstimos de médio e longo prazos e o investimento estrangeiro direto."
O resultado da conta corrente de janeiro foi formado pelos superávits da balança comercial, de US$ 944 milhões, e das transferências unilaterais, US$ 325 milhões. Esses saldos foram insuficientes para compensar o déficit na conta de serviços e rendas, que totalizou US$ 5,501 bilhões.
A conta de serviços e rendas inclui as remessas de lucros, dividendos e juros ao exterior. Só de lucros foram remetidos US$ 1,289 bilhão no mês passado. Os lucros e dividendos foram responsáveis por outros US$ 3,025 bilhões. Também é nessa conta que entram os gastos com viagens internacionais.
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