Taxas de juros cobradas pelos bancos disparam em janeiro
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
As taxas de juros cobradas das pessoas físicas e das empresas dispararam em janeiro em relação a dezembro. Após meses em seu patamar mais baixo, o custo de financiamento sofreu altas significativas em todas as modalidades de crédito, refletindo o aumento dos spreads (diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes).
A taxa média geral subiu de 33,8% ao ano, em dezembro, para 37,3% no mês passado. Esse aumento foi na mesma magnitude da elevação do spread, que chegou a 25,7 pontos percentuais, elevação de de 3,4 pontos.
Desde julho de 2001 o custo do crédito não subia nessa velocidade de um mês para outro.
Considerando apenas as operações destinadas apenas às pessoas físicas, a taxa subiu 4,9 pontos percentuais, para 48,8% ao ano.
Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, A volatilidade nos mercados externos, a elevação da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a maior demanda por crédito no início do ano são apenas alguns dos fatores que explicam a disparada. "Agora temos que dar um tempo para ver como as taxas evoluem", afirmou.
A maior elevação ocorreu na modalidade crédito pessoal, que passou de 45,8% em dezembro para 53,1% em janeiro. Dentro dessa modalidade está o crédito consignado --desconto em folha de pagamento--, que apresentou uma elevação de 1,3 ponto, para 29,3% ao ano no mês passado.
Na aquisição de veículos, a taxa subiu 2,4 pontos, para 31,2% ao ano. A taxa para a aquisição dos demais bens foi a única que apresentou recuo, de 0,2 ponto percentual, para 56,3% ao ano em janeiro. No cheque especial, a alta foi de 6,9 pontos percentuais e a taxa chegou a 145% ao ano.
O spread do conjunto dessas operações ficou em 36,6 pontos percentuais, alta de 4,7 pontos.
Empresas
No caso das empresas (pessoas jurídicas), a taxa de juros subiu para 24,7% ao ano em janeiro, alta de 1,8 ponto percentual. Já o spread para essas operações apresentou uma elevação de 1,8 ponto percentual, chegando a 13,7 pontos percentuais.
As elevações mais significativas ocorreram nas modalidades como desconto de promissórias, que passou de 43,4% ao ano em dezembro para 52,2% ao ano em janeiro. Já a modalidade desconto de duplicatas apresentou uma elevação de seis pontos percentuais, para 38,3% ao ano.
Em relação à pontualidade dos consumidores brasileiros, a taxa de inadimplência --atrasos superiores a 90 dias-- ficou em 4,4%, alta de 0,1 ponto. Nas empresas, ela ficou estável em 2%. Para as pessoas físicas, a inadimplência ficou em em 7,1%, elevação de 0,1 ponto.
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