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Dinheiro
27/02/2008 - 11h54

Preço do petróleo tem ligeira alta após atingir novo recorde

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da Folha Online

O preço do petróleo registra ligeira variação positiva nesta quarta-feira, após ultrapassar a marca dos US$ 102 durante as negociações na pré-abertura de hoje.

Às 11h37 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em abril, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, estava cotado a US$ 100,94, ligeira alta de 0,06%. Durante as negociações antes da abertura do mercado, o barril chegou ao recorde de US$ 102,08. Até o horário, o valor mínimo atingido pelo barril era de US$ 100,40.

Hoje também o barril do petróleo Brent (referencial na Europa) bateu recorde, superando a marca dos US$ 100 nos mercados asiáticos.

A queda do dólar frente ao euro é parte da razão para o avanço no preço da commodity: com a perda de valor da moeda americana (não só diante do euro, mas frente também a outras moedas), o barril, negociado em dólar, se torna mais acessível, o que aumenta a pressão da demanda.

Além disso, os investidores temem que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decida não aumentar sua produção em sua próxima reunião, no dia 5 de março.

No dia 1º deste mês, o cartel manteve a atual cota de produção --de 29,67 milhões de barris por dia. "Em vista da atual situação, aliada a uma projeção de desaceleração econômica, a Opep decidiu que a atual produção é suficiente para atender (...) a demanda no primeiro trimestre do ano", informou a organização, em um comunicado.

A Opep não respondeu aos pedidos das nações consumidoras, especialmente dos EUA, para que aumentassem a produção, a fim de que um petróleo menos caro ajude a melhorar a conjuntura e permita controlar a inflação.

Hoje a moeda européia chegou a ultrapassar hoje a marca de US$ 1,50, diante da expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) venha a reduzir mais uma vez sua taxa de juros (hoje em 3% ao ano) na reunião de política monetária programada para março.

Taxas menores de juros podem estimular a economia ao baratear o crédito, mas afetam o câmbio, ao provocar a saída de recursos para mercados onde os retornos com juros sejam mais atrativos.

A redução dos juros pelo Fed faz parte das tentativas do governo americano de dar novo estímulo ao consumo no país, evitando que a economia entre em recessão.

Os indicadores econômicos americanos mais recentes mostram que a economia do país está em ritmo de acentuada desaceleração: hoje, o Departamento do Comércio informou que os pedidos de bens duráveis tiveram queda de 5,3% em janeiro, contra uma alta de 4,4% em dezembro.

Ontem, o Departamento do Trabalho informou que o índice de preços no atacado nos EUA teve alta de 1% em janeiro, contra uma deflação de 0,3% em dezembro (dado revisado). O índice referente aos preços de energia teve alta de 1,5% no mês passado, após uma deflação de 3% em dezembro.

O índice S&P/Case-Shiller, também divulgado ontem, mostrou que os preços dos imóveis residenciais nos EUA tiveram uma queda de 8,9% no quarto trimestre de 2007, maior já registrada nos 20 anos em que o índice é apurado. O instituto privado de pesquisa Conference Board informou também que a confiança do consumidor americano caiu em fevereiro para 75 pontos, contra 87,3 pontos em janeiro.

Na semana passada, o barril bateu dois recordes em fechamentos --na terça-feira (19), o barril fechou negociado a US$ 100,01 (primeiro encerramento acima dos US$ 100); na quarta-feira (20), superou a marca e fechou cotado a US$ 100,74-- e, na quarta-feira mesmo, o barril atingiu valor recorde durante a negociação, US$ 101,32.

Analistas aguardam hoje a divulgação do relatório semanal do Departamento de Energia. A expectativa é de que o estoque de petróleo tenha apresentado um crescimento de 2,4 milhões de barris na semana passada. Já para as reservas de gasolina a expectativa é de um aumento de 400 mil barris.

 

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