Produção de álcool tem como prioridade o mercado interno, diz empresário
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O consumo interno de álcool crescerá, em média, 3 bilhões de litros por ano até o fim da década. O cálculo é do presidente do Conselho de Administração da Usina Moema, Maurílio Biagi Filho. Ele disse que a menor demanda do mercado externo não atrapalha a produção das usinas.
"O mercado externo não é o principal. O programa nacional do álcool prevê que 90% da produção será direcionada para o mercado interno. Precisamos dar conta de atender ao aumento da demanda daqui", afirmou.
Para a safra 2007/2008, a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar) prevê a produção de 22 bilhões de litros de álcool (dos quais 3,6 bilhões de litros para exportação).
Biagi Filho destacou que espera, até 2012, ampliar as vendas para os Estados Unidos. Para ele, a produção americana atual, de cerca de 30 bilhões de litros que utilizam o milho como matéria-prima, vai dobrar nesse período. A partir disso, segundo Biagi Filho, resta aos americanos produzir álcool a partir de celulose ou da cana-de-açúcar.
"Eles ainda não têm a tecnologia para produzir a partir da celulose. Eles já sinalizaram que vão com o milho e depois terão de importar cana", disse.
Mecanização
O executivo informou que a mecanização da produção de cana de açúcar no Estado de São Paulo vai tirar até 15 mil trabalhadores por ano das plantações. Um acordo entre a Unica e o governo paulista prevê que até 2014 todas as plantações do Estado serão mecanizadas. Atualmente, pouco mais de 40%, segundo Biagi, utiliza máquinas na colheita da cana.
Posicionando-se contra a medida, Biagi Filho avaliou como remota a possibilidade de mecanização integral das lavouras uma vez que "as fábricas produtoras de máquina de colher cana estarão completamente comprometidas até 2014".
"Acho que isso tinha de ser feito de forma mais lenta. Lamento profundamente porque vai gerar certa disponibilidade de mão-de-obra. Mas estamos treinando muita gente para que ocupem postos mais qualificados, como operadores de máquinas e tratoristas", disse Biagi.
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