Dinheiro
28/02/2008 - 11h27

PF recupera equipamentos furtados da Petrobras e prende 4 suspeitos

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Atualizada às 12h12

A PF (Polícia Federal) prendeu nesta quinta-feira quatro empregados do terminal de contêineres na zona portuária do Rio pelo furto dos laptops e discos rígidos com informações sigilosas da Petrobras. O material --com exceção de um HD e um pente de memória-- também foi recuperado.

Alexandro de Araujo Maia, Éder Rodrigues da Costa, Michel Nello da Costa e Cristiano da Silva Tavares são funcionários da empresa Briclog, que prestava serviços para a Petrobras. Eles foram detidos em suas casas, nos bairros de Parada de Lucas e Vila Kosmos, e em São Gonçalo, região metropolitana.

Além do material furtado da Petrobras, com os presos foram encontrados outros equipamentos de informática, de outras empresas, roubados no mesmo local.

Rafael Andrade/Folha Imagem
PF exibe um dos quatro laptops furtados da Petrobras e recuperados nesta quinta-feira
PF exibe um dos quatro laptops furtados da Petrobras e recuperados nesta quinta-feira

Ao considerar o caso resolvido, o Superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Valdinho Jacinto Caetano, descartou que o furto tenha sido espionagem industrial.

"O furto foi elucidado. Não descartávamos nenhuma hipótese. Os ladrões são pessoas de pouca instrução que não tinham noção das informações contidas no material roubado. Diante disso, afirmamos com clareza que se trata de crime comum. Está absolutamente descartada a hipótese de espionagem", afirmou o delegado.

De acordo com Caetano, os vigilantes praticavam pequenos furtos desde setembro do ano passado --eles estavam da lista de interrogados durante o inquérito. "Como a rotatividade de equipamento é muito alta, e os furtos eram pequenos, a Petrobras, às vezes, nem notava a falta."

O delegado explicou ainda que assim que o furto foi noticiado, um dos vigilantes presos informou ter destruído um HD e um monitor. Caetano garantiu, porém, que não houve perda de informações, já que a Petrobras tinha cópia de todo o material. Outro laptop, de acordo com os presos, já havia sido vendido, mas não continha dados relevantes.

Caetano informou que a equipe da PF continua a realizar buscas à procura de outros equipamentos da Petrobras repassados pelo grupo --um laptop teria sido vendido por R$ 1.500.

Segundo o delegado, os quatro acusados serão enquadrados no crime de furto e formação de quadrilha. Os possíveis receptadores serão investigados e também poderão ser indiciados.

Furto da Petrobras

Os dados foram furtados de um galpão, como revelado pela Folha, e de um contêiner da americana Halliburton enquanto o mesmo ficou parado no porto do Rio.

As informações vinham de uma sonda de perfuração responsável pela descoberta do megacampo de Júpiter, localizado na Bacia de Santos (SP). A reserva, anunciada no início deste ano, foi classificada como capaz de tornar o Brasil auto-suficiente em gás natural.

O contêiner estava em um navio que partiu do porto de Santos no dia 18 de janeiro (dia em que a sonda encerrou pesquisas no bloco BM-S-24) e chegou ao porto do Rio no dia 25. No dia 29, partiu para Macaé, município situado no Norte Fluminense onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos, em um caminhão da transportadora Transmagno, que monitora seus veículos por rastreador. O contêiner chegou ao seu destino no dia 30.

Comentários dos leitores
José Renato Carollo (3) 29/02/2008 23h39
José Renato Carollo (3) 29/02/2008 23h39
SAO PAULO / SP
caros , fiz um comentário que mais uma vez nao foi publicado. creio que deveria haver um 'log' de comentários nao publicados, incluindo o nome do usuário mas nao incluindo o comentário em si, e explicando o porque nao foi publicado.
Entendo que haja precaucoes , especialmente desde o caso da igreja universal, mas a forma presente , que nao identifica comentarios nao publicados nao é transparente. por favor, tornem o processo de aprovacao/nao aprovacao MAIS transparente.
obrigado.
José Renato
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José Renato Carollo (3) 29/02/2008 16h11
José Renato Carollo (3) 29/02/2008 16h11
SAO PAULO / SP
Que conveniente encontrarem um esquema de roubo de lap tops. Como no caso de Celson Daniel , a polícia fica ansiosa para justificar o 'crime comum'. Uma vergonha um delegado da Polícia Federal decidir pelo crime comum, sabendo que há bandidos que aceitam dinheiro para assumir 'broncas'. Falta só falar que todo mundo na Petrobrás transporta lap tops em caminhoes, junto com talao de cheque e blackberry. Práticas normais no mundo dos negócios.
Nunca houve tantos crimes comuns no Brasil relacionados a política como no Governo Lula.
sem opinião
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Eduardo Petrucci Gigante (36) 29/02/2008 09h11
Eduardo Petrucci Gigante (36) 29/02/2008 09h11
PELOTAS / RS
Com que então guilhotinaram a guilhotina da Abin. Que pena. Mas se era uma concorrência dirigida - a única que se tem notícia (sic) - fizeram muito bem. Afinal, ninguém deve duvidar da retidão desse sistema de Pregão Eletrônico.
Antigamente tinhamos um Serviço Nacional de Informações, SNI, que era um serviço que procurava por informações estratégicas. Agora temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, que deve ser a agência que procura inteligência. Que, pelo visto, anda difícil de encontrar...
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