Nível de atividade da indústria paulista recua 0,5% em janeiro
YGOR SALLES
da Folha Online
Atualizada às 17h15
O nível de atividade da indústria de transformação do Estado de São Paulo desceu 0,5% em janeiro, sem considerar o ajuste sazonal, segundo pesquisa apresentada nesta quinta-feira pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Com ajuste sazonal, o INA (Indicador do Nível de Atividade da Indústria) apresentou alta de 2,2% na comparação com dezembro de 2007.
Segundo o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp, Paulo Francini, o resultado é positivo porque aponta para a manutenção do ritmo de crescimento da indústria paulista.
"Em janeiro normalmente cai em relação a dezembro. Mas a queda de 2008 é menor do que a dos anos anteriores", disse. A alta com ajuste sazonal, explicou o economista, também dá esse sinal: é a maior desde abril do ano passado, quando atingiu 2,3%.
As horas trabalhadas na produção avançaram 0,7% na comparação com dezembro. As vendas reais caíram 9,7% na mesma base de comparação. O total de horas pagas na indústria caiu 2%, e o total de salários reais pagos pelas indústrias paulistas recuou 4,5%.
Francini apontou a alta das horas trabalhadas como um sinal de que a indústria já espera por mais um ano aquecido. "As horas trabalhadas caíram nos últimos anos e agora subiu. As indústrias deram menos férias ou não estenderam a folga do fim de ano", disse. A combinação desse dado com a queda das vendas pode inferir, segundo o economista, que a indústria paulista está reforçando seus estoques para o ano.
Capacidade instalada
O Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) da indústria paulista atingiu 81,9% em janeiro. No mesmo mês de 2007, o uso ficou em 78,5%.
O maior índice de utilização da capacidade foi apresentado pelo setor de coque, refino de petróleo e combustível nuclear, e produção de alcóol com 93,1%, seguido por metalurgia básica, com 92,1%. Entre as que possuem menor capacidade utilizada, o destaque é do setor de equipamentos de escritório e informática, com 76,9%.
Francini disse não estar preocupado com a alta da capacidade instalada. "A Nuci não é motivo de preocupação", afimou. Ele deu como exemplo a abertura de um novo turno na fábrica da General Motors em São Caetano do Sul (SP), anunciada na semana passada. "Quando a GM informava a sua capacidade instalada, não incluia a capacidade que poderia ter com o turno extra", explicou.
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