Presidente do Fed apóia redução de tarifas sobre álcool
da Folha Online
O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse nesta quinta-feira que é favorável a uma redução de tarifas sobre o álcool importado, para ajudar a aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos. O fim da tarifa poderia favorecer o Brasil.
"Como vocês sabem, eu sou favorável ao comércio livre e acredito que [o fim da tarifa sobre] o álcool, por exemplo, reduziria os custos [dos alimentos] nos EUA", disse Bernanke, no segundo dia de seu testemunho semestral diante do Congresso.
Ele disse ser difícil quantificar quanto da atual pressão sobre os alimentos vem da demanda maior por álcool, "mas é fato que uma parte significativa da safra de milho está sendo dirigida à produção de álcool, o que eleva os preços do milho", disse.
"E há alguns reflexos. Por exemplo, parte da área de cultivo de soja foi transferida para a produção de milho, o que provavelmente terá algum efeito sobre os preços do grão de soja", afirmou.
Os EUA são o maior produtor do combustível, seguidos pelo Brasil, mas o custo do produto brasileiro é inferior --nos EUA, a matéria-prima é o milho, enquanto no Brasil é a cana-de-açúcar. As vendas brasileiras de álcool para o exterior tiveram uma queda de 14% no ano passado na comparação com 2006, para 3,6 bilhões de litros, segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar).
Em outubro do ano passado, o Comitê de Finanças do Senado dos EUA aprovou um pacote fiscal de US$ 16 bilhões para manter um programa de ajuda a produtores agrícolas --entre as medidas do pacote está a prorrogação, até 2011, da cobrança da tarifa de US$ 0,54 por galão (3,785 litros) de álcool importado, o que afeta o Brasil.
O governo americano estabeleceu em 1980 uma tarifa sobre o álcool importado de US$ 0,54 por galão (3,785 litros). A Embaixada do Brasil em Washington avaliou, no relatório "Barreiras a produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos", divulgado em setembro de 2007, que "o álcool brasileiro enfrenta dificuldades para entrar no mercado americano há mais de 20 anos, devido a medidas protecionistas e subsídios à produção doméstica nos EUA".
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