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Dinheiro
28/02/2008 - 15h50

Confira os principais pontos da proposta de reforma tributária

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Guido Mantega (Fazenda) encaminhou nesta quinta-feira ao Congresso Nacional o texto da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que tem como objetivo fazer alterações no sistema tributário brasileiro. Para que elas sejam efetivas, é necessário aprovar não só a PEC, mas também uma série de leis complementares.

Veja as principais mudanças pretendidas pelo governo:

IVA Federal

- A PEC prevê a criação do IVA-F (Imposto sobre Valor Agregado), que irá unificar três tributos federais existentes hoje: PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico). Esse imposto irá incidir sobre bens e serviços.

"Fim" da CSLL

- A proposta de reforma tributária prevê que a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) seja incorporada ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A justificativa para essa unificação é que os dois tributos possuem a mesma base de cobrança, que é o lucro das empresas. Para isso, está previsto que o IR possa ter cobranças diferenciadas por setor econômico, assim como ocorre hoje com a CSLL.

Carga tributária

- Para garantir que a reforma tributária não terá como conseqüência o aumento da carga tributária, está previsto um mecanismo que limita e ajusta a carga correspondente ao IVA-F e ao IR. Essa limitação poderá ser feita por meio de uma lei complementar.

Desonerações

- A proposta prevê que as empresas deixarão de recolher os recursos referentes ao salário-educação, que é destinado ao Ministério da Educação e é formado por 2,5% da folha de pagamentos. Para que a área da educação não sofra perda de recursos, ficará estabelecido que uma parcela do IVA-F terá essa destinação.

- Além disso, o governo pretende, 90 dias após aprovada a PEC da reforma tributária, encaminhar um projeto de lei para desonerar a folha de pagamento. A contribuição patronal à Previdência Social cairia de 20% para 14% em seis anos, sendo reduzido um ponto percentual por ano.

- O governo promete reduzir o prazo do aproveitamento de créditos tributários da parcela do IVA que corresponde a atual PIS/Cofins. A idéia é fazer uma redução de 48 meses para zero quando ocorrer a aquisição de bens de capital. Com isso, as empresas poderão fazer mais rapidamente a compensação referente a esses créditos com outros tributos. O objetivo é que com isso os investimentos tenham uma desoneração total.

Novo ICMS

- A PEC prevê a criação de uma legislação única para o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) --hoje, cada Estado tem a sua. Sua cobrança passará da origem do produto para o destino, mas essa mudança não irá ocorrer de forma imediata. Ela entrará em vigor no oitavo ano subseqüente a aprovação da PEC. Além disso, está previsto que uma arrecadação equivalente a da alíquota do ICMS ficará com o Estado de origem para compensar eventuais perdas e estimular a fiscalização.

Fundo de Equalização das Receitas (FER)

- Esse fundo será criado para permitir que nenhum ente da federação tenha perdas com a mudança da cobrança do ICMS da origem para o destino. A expectativa é que a vigência desse fundo seja de oito anos, começando no ano seguinte da aprovação da PEC. Os Estados receberão receitas decrescentes no que diz respeito às exportações e de forma crescente na compensação de perda de arrecadação possíveis com a mudança da cobrança do ICMS do destino para a origem. Pelos próximos sete anos após essa fase, os Estados irão receber recursos equivalentes aos recebidos no oitavo ano posterior à aprovação da PEC.
A fonte de recursos desse fundo, entre outras, será o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional

- Esse fundo será formado por até 4,8% dos recursos do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. Ele será criado a partir da promulgação da PEC. Em seu segundo ano, irá receber 4,2% desses dois tributos e esse percentual irá crescer gradativamente até que, no oitavo ano, será correspondente a 4,8%.

Partilha de recursos

- A proposta prevê que a partilha de recursos federais com os demais entes federativos não sofrerão perdas com as alterações no sistema tributário.

Comentários dos leitores
Monica Rego (174) 17/06/2009 18h42
Monica Rego (174) 17/06/2009 18h42
P$DEM não tem proposta para o país seu choque de gestão é o que a de pior para o povo que necessita de políticas publicas!!! sem opinião
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Valter Souza (33) 17/06/2009 15h39
Valter Souza (33) 17/06/2009 15h39
O Sr Serra deveria se recolher aos aposentos pois falar que a reforma é um "horror" que é isso ou aquilo e não dar nenhuma explicação do que está errado isso é só politicagem!!! 1 opinião
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Said Abou Ghaouche Netto (9) 05/06/2009 16h33
Said Abou Ghaouche Netto (9) 05/06/2009 16h33
O assunto REFORMA TRIBUTÁRIA é muito sério e não deve ser tratado com leviandade. Eu ouço todos os dias o mesmo mantra de sempre, que é preciso reduzir os impostos. Isso é superficial demais. Existem outros aspectos a serem analisados. Os governos federal, estaduais e municipais, estruturados em poderes executivo, legislativo e judiciário, gastam mais do que os cidadãos pagam. Este perdularismo público deve ser contido e os governantes devem gastar o dinheiro público com parcimônia e objetividade, transformando a máquina pública numa máquina mais ágil e aficaz. Outro aspecto é a sonegação. Todos nós, cidadãos decentes, pagamos nossos impostos para manter a máquina pública funcionando, de modo que possamos desfrutar de serviços públicos essenciais. Mas uma parcela da população usa esta máquina pela qual pagamos sem participar do custos. São os sonegadores, verdadeiros parasitas e lesa-pátrias que sugam nosso sangue e saqueam nosso erário. Não dá para falar em reforma tributária deixando de lado o combate firme e impiedoso aos sonegadores. E por último, a prestação de contas com máxima transparência. Os governantes devem publicar com exatidão o quanto foi arrecadado com cada imposto e o quanto foi gasto e no que foi gasto. Ai sim, nós podemos discutir o assunto de maneira mais sobria. Controle dos gastos governamentais; combate à sonegação e prestação de contas. É o mínimo que se espera em um bom debate. 3 opiniões
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