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Dinheiro
28/02/2008 - 16h21

Inflação e renda maior devem elevar patamar de reajuste dos aluguéis, diz FGV

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

Com variação positiva de 8,67% nos últimos 12 meses, o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) só deverá desacelerar a partir do segundo semestre, avaliou o coordenador de análises econômicas do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Salomão Quadros. Segundo ele, a taxa acumulada no período de um ano deverá provocar um reajuste maior nas tarifas e nos contratos reajustados pelo IGP-M neste ano, como no caso dos aluguéis.

"A combinação entre o aumento da renda da população, que eleva a demanda, e o indexador mais alto deve fazer o item aluguéis vir mais forte e ocupar parte do lugar de alimentos e agricultura na inflação deste ano, que também não devem liberar tanto assim", disse Salomão.

Ainda que os produtos agrícolas e de alimentação estejam no centro das atenções quanto à trajetória da inflação neste ano, o professor da FGV afirma que o movimento de preços não deverá ser tão fortemente marcado por eles quanto foi em 2007. No acumulado do ano passado, o IGP-M fechou em 7,75%, o maior índice desde 2004, com destaque para alimentos.

"Em 2008, a inflação será redistribuída [entre várias categorias]. Será um pouco mais democrática. Os alimentos vão ceder espaço como estrela da inflação para serviços públicos, energia e telecomunicações", disse Salomão, que aposta em taxa acumulada para o IGP-M no final deste ano inferior à registrada em 2007.

Segundo ele, as tarifas, sobretudo de energia elétrica, devem fazer a diferença neste ano, ao contrário de 2007 quando os contratos foram revistos e houve redução de tarifa. "Agora, as tarifas voltam a ser corrigidas. Os processos mais imediatos de indexação com IGP-M vão ficar na faixa de 8%", avaliou.

Sob controle

Salomão descarta, no entanto, que a inflação fuja ao controle neste ano. "A inflação não vai sair do controle, da meta. Há riscos pela agricultura e alimentação, mas já fomos surpreendidos pelo bônus cambial, que não se esperava para este ano. A inflação não vai fugir da meta da faixa de 4,5% em relação ao IPC, ao consumidor", disse.

A FGV, divulgou nesta quinta-feira, inflação de 0,53% em fevereiro para o IGP-M, praticamente a metade da verificada em janeiro, de 1,09%, mas ainda muito acima das taxas apuradas em janeiro e fevereiro do ano passado, de 0,27% e 0,34%, respectivamente.

"Nos próximos dois meses se vai ter a idéia em até que medida o IGP-M vai se desacelerar. Ainda estamos carregando índices que ficaram acima de 1% em 2007. No segundo semestre vai ter espaço necessário para a taxa começar a cair novamente. O IGP no final deste ano vai ser menor do que temos agora", disse.

Fevereiro

Conforme a instituição divulgou hoje, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,26% em fevereiro, contra 0,96% há um mês. Os grupos que apresentaram desaceleração do índice foram Alimentação (2,25% para 0,21%), Educação, Leitura e Recreação (1,61% para 1,06%) e Transportes (0,56% para 0,17%).

O IPA (Índice de Preços por Atacado) teve alta de 0,64%, contra elevação de 1,24% em janeiro. Já o índice relativo aos Bens Finais subiu 0,63% neste mês, contra 0,27% no mês passado. Excluindo-se os subgrupos alimentos 'in natura' e combustíveis, o índice de Bens Finais subiu 0,28%, contra 0,24% em janeiro.

O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) subiu 0,43%, contra 0,41% em janeiro. Dos três grupos componentes do índice, apenas Mão-de-Obra apresentou recuo --de 0,45%, em janeiro para 0,06%, em fevereiro.

Para março, a perspectiva é de manutenção de desaceleração do IGP-M, segundo Salomão. "O IGP-M vai estar em desaceleração, basta saber se o tamanho se maior ou menor que fevereiro. A agricultura está em plena safra e o câmbio aponta para desaceleração dos preços", avaliou Salomão.

 

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