Setor financeiro global deve perder US$ 600 bi com crise de crédito, diz UBS
da Folha Online
As empresas do setor financeiro global devem registrar perdas de ao menos US$ 600 bilhões causadas pelas perdas com a crise das hipotecas "subprime" (de maior risco), e que se estendeu também para outras modalidades de crédito, informou nesta sexta-feira o banco suíço UBS.
"Nossa equipe para operações bancárias globais estima que as perdas totais no setor financeiro na atual crise podem chegar a passar de US$ 600 bilhões, dos quais US$ 350 bilhões devem se referir a bancos e corretoras com ações em Bolsas", diz o comunicado do banco.
Até o momento, segundo o UBS, as instituições financeiras já revelaram mais de US$ 160 bilhões em perdas com crédito e em reduções de valores de títulos ligados aos mercados de crédito --em particular as registradas no mercado de hipotecas "subprime".
O banco ainda destacou que o impacto da crise sobre a economia real deve ser mais forte que o que atualmente se espera. "No atual estágio, portanto, temos de reconhecer o risco de que a economia irá sofrer mais danos do que o consenso sugere."
"Para resumir a história, se tivéssemos um 'índice de retórica' medindo o tom das mensagens de nossa equipe econômica, ele estaria em declínio desde setembro", diz o comunicado do banco.
O próprio UBS foi uma das instituições financeiras mais atingidas pela crise. Neste mês, o banco informou ter registrado um prejuízo de US$ 11,27 bilhões no quarto trimestre de 2007, contra um lucro de US$ 3,07 bilhões um ano antes. No ano como um todo fechou teve um prejuízo de US$ 3,96 bilhões, contra um lucro de US$ 11,10 bilhões em 2006.
A última vez em que o UBS havia encerrado um ano com prejuízo foi em 1997, quando foi criado a partir da fusão entre o Swiss Bank e o Union Bank of Switzerland.
Os prejuízos do banco no ano passado se deveram aos efeitos da crise com os títulos ligados ao mercado americano de créditos imobiliários de risco: a perda com esses papéis em 2007 foi de US$ 13,7 bilhões. O banco ainda possui outros US$ 27, 59 bilhões em títulos ligados a esses mercados (contra US$ 38,77 bilhões registrados em setembro).
Economia real
Nos EUA, a crise já produz reflexos na economia real: o PIB (Produto Interno Bruto) americano cresceu apenas 0,6% no trimestre passado, contra 4,9% no trimestre imediatamente anterior.
No mercado de trabalho também já se vê sinais da crise: a economia americana fechou janeiro com uma perda líquida de 17 mil postos de trabalho --primeiro resultado negativo desde agosto de 2003.
Além do UBS, outros gigantes do setor financeiro mundial já registraram bilhões em perdas com a atual crise de crédito nos EUA. O Citi teve um prejuízo líquido de US$ 9,83 bilhões no quarto trimestre; o Merrill Lynch, por sua vez, já anunciou um prejuízo líquido de US$ 9,8 bilhões no quarto trimestre do ano passado, com o peso da perda de US$ 11,5 bilhões no valor de títulos ligados ao mercado de créditos de risco.
O Bears Stearns teve seu primeiro prejuízo trimestral, de US$ 854 milhões (de US$ 6,90 por ação), no período encerrado no dia 30 de novembro, contra um lucro líquido de US$ 563 milhões um ano antes. O prejuízo ocorreu devido à redução de US$ 1,9 bilhão em seus ativos ligados ao setor imobiliário --em particular as hipotecas.
O Credit Suisse manteve-se no lucro no quarto trimestre de 2007, mas a queda em relação ao mesmo período de 2006 foi de 72%. O banco informou que tem à frente desafios difíceis, devido à turbulência nos mercados globais, causada pela crise de crédito nos EUA.
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