Presidente da Vale nega que compra da Xstrata seja prioridade
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse nesta sexta-feira que a possível aquisição da mineradora anglo-suíca Xstrata não é prioridade para a companhia. Agnelli destacou que a Vale já chegou ao limite na negociação, e que o destino do acordo está nas mãos da Glencore, controladora da mineradora. O executivo acrescentou ainda que a Vale vem mantendo conversas para a aquisição de outras empresas.
"Temos limites que se impõem, no sentido de quer é melhor tocar um projeto orgânico do que fazer aquisição. Fazer aquisição em um momento em que todos os ativos estão sobrevalorizados, evidentemente com a perspectiva da continuidade do ciclo positivo dos últimos anos. A gente tem que fazer uma comparação do que é o melhor", afirmou, durante coletiva à imprensa sobre os resultados da empresa ao longo de 2007.
Agnelli salientou que a Vale tem um limite, e "ele é claro", mas não mencionou o valor da proposta feita pela compra da Xstrata. "O que quero deixar claro é o seguinte. Isto não é prioridade para a Vale. A prioridade para a vale é tocar os seus projetos, que em qualquer conta que a gente possa vir a fazer, é mais barato tocar nossos projetos", completou.
Agnelli afirmou que há muitas dificuldades para a concretização do negócio. Ele destacou que os problemas não são pequenos, e vão desde aspectos financeiros até a combinação de projetos. "Tem um limite, e nesse limite nós já chegamos. Agora é questão de eles decidirem o que querem fazer", destacou.
O executivo observou que a qualidade dos ativos de Vale e Xstrata resultaria em uma "combinação estratégica muito positiva".
"Compreendo a posição deles, e eles compreendem nossa posição. Se tiver alguma coisa para fazer, nós vamos fazer. Se não der para fazer nem para eles, nem para nós, não vamos fazer", observou.
Para Agnelli, o negócio com a Xstrata reforçaria a posição da Vale nos mercados de carvão térmico e metalúrgico, níquel e cobre. Ele explicou que vislumbra uma expansão forte desses mercados, e no caso do cobre, aposta que haverá alta dos preços nos próximos anos. Em relação à produção de níquel, destaca que haveria sinergia dos ativos da Xstrata no Canadá com os que foram comprados da Inco.
O executivo afirmou também que o governo brasileiro não interferiu na negociação. Para ele, a preocupação de que o controle da Vale deixasse de ser brasileiro, evidenciada pelo governo, é natural, e "vem antes de qualquer coisa".
"Não houve nenhuma manifestação por parte do governo, nenhuma preocupação que não fosse parte integrante da negociação. A Vale é uma empresa brasileira, de importância muito grande para o país. Todos os diretores e acionistas sabem da importância de a Vale continuar brasileira", frisou.
Agnelli confirmou que vem mantendo conversas para a aquisição de outros ativos, mas ressaltou que isso não ocorre como forma de compensar uma possível frustração do negócio com a Xstrata.
"É evidente que nunca conversamos com apenas um. Há outras conversas, mas não há nenhuma outra proposta concreta", afirmou.
Se o negócio com a Xstrata não for concluído, a meta da mineradora brasileira de se tornar a primeira do mercado não será alterado, segundo o executivo. Roger Agnelli concluiu que não há limite de tempo para que o negócio seja fechado.
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