Xstrata anuncia expansão de 13% em lucro e que ainda negocia com a Vale
da Folha Online
A mineradora anglo-suíça Xstrata anunciou nesta segunda-feira que seu lucro anual teve um crescimento de 13%, para US$ 5,54 bilhões em 2007 (contra US$ 4,89 bilhões em 2006), e que as negociações para a eventual aceitação da oferta de compra feita pela Vale do Rio Doce estão "em curso e podem ou não levar a uma oferta".
"A consolidação da indústria [mineradora] é uma tendência que lançamos há alguns anos quando partimos para desempenhar um papel central na transformação do setor em uma indústria global, compreendendo um número menor de grandes participantes com escala para competir por novas oportunidades, gerar fluxos de caixa mais estáveis e entregar retornos superiores a cada ciclo", informou a empresa, em um comunicado
Na sexta-feira (29), o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que a possível aquisição da Xstrata não é prioridade para a companhia. Ele destacou que a Vale já chegou ao limite na negociação e que o andamenmto do negócio depende da Glencore (controladora da Xstrata).
"Temos limites que se impõem, no sentido de que é melhor tocar um projeto orgânico do que fazer aquisição", afirmou. "O que quero deixar claro é o seguinte. Isto não é prioridade para a Vale. A prioridade para a Vale é tocar os seus projetos, que em qualquer conta que a gente possa vir a fazer, é mais barato tocar nossos projetos".
Para Agnelli, o negócio com a Xstrata reforçaria a posição da Vale nos mercados de carvão térmico e metalúrgico, níquel e cobre. Ele explicou que vislumbra uma expansão forte desses mercados, e no caso do cobre, aposta que haverá alta dos preços nos próximos anos. Em relação à produção de níquel, destaca que haveria sinergia dos ativos da Xstrata no Canadá com os que foram comprados da Inco.
Ainda na semana passada, o diário britânico "Financial Times" informou que o negócio entre as duas empresas poderia entrar em colapso, depois que a Glencore se recusou a aceitar os termos da oferta.
Segundo a reportagem, a Glencore exige uma extensão expressiva de seus direitos aos lucros na comercialização de commodities (incluindo níquel e carvão) em um acordo que já possui com a Xstrata. Fontes ouvidas pelo diário informaram que a Vale não concorda com os novos termos para efetuar o negócio.
Dos quase US$ 90 bilhões que seriam pagos pela Vale à Xstrata, US$ 30 bilhões seriam em ações preferenciais da mineradora brasileira. Para a compra, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, deve obter financiamento de US$ 50 bilhões junto a um consórcio de bancos de investimentos liderado pelo HSBC e pelo Santander.
O governo teme que a proposta da Vale possa colocar, no futuro, a mineradora brasileira em poder de estrangeiros. A empresa foi privatizada em 1997 e o governo tem ingerência nas decisões do conselho da Vale através do BNDESPar --braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Previ --fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil-- fazem parte do bloco controlador da Vale.
Agnelli, no entanto, afirmou que o governo brasileiro não interferiu na negociação. "Não houve nenhuma manifestação por parte do governo, nenhuma preocupação que não fosse parte integrante da negociação. A Vale é uma empresa brasileira, de importância muito grande para o país. Todos os diretores e acionistas sabem da importância de a Vale continuar brasileira", frisou.
Busca
A Xstrata ainda informou que o prosseguimento das negociações com a Vale não interrompeu a procura por outras possíveis oportunidades. "O que estamos tentando fazer como equipe de gestão é posicionar a Xstrata para criar valor para os acionistas. Uma transação com a Vale seria interessante nessa busca, seja na posição de quem irá comprar ou na de quem irá vender", disse o executivo-chefe da empresa, Mick Davis.
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