Preço dos combustíveis dispara nos postos, aponta ANP
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Os preços dos combustíveis dispararam na semana passada, na média de todo o Brasil, segundo o levantamento semanal feito pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). O álcool teve trajetória de queda encerrada e subiu 6,08%. Na semana passada, o litro do combustível era encontrado, em média, por R$ 1,552, ante R$ 1,463 verificados na semana anterior.
A gasolina, que tem mistura de 25% de álcool anidro, seguiu esse ritmo e registrou alta de 1,60%. O litro do combustível passou de R$ 2,494, em média, na semana de 17 a 23 de fevereiro, para R$ 2,534, na semana passada, compreendida entre 24 de fevereiro e 1º de março.
Já o preço médio do metro cúbico do GNV (Gás Natural Veicular) chegou a R$ 1,502 na semana passada, alta de 4,16% em relação à média de R$ 1,442 constatados nos sete dias imediatamente anteriores.
O litro do diesel aumentou 0,85%, passando de R$ 1,876 para R$ 1,892. Até mesmo o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) apresentou variação positiva. O preço do botijão de 13 quilos subiu 1,46% na semana passada, para R$ 33,28. Entre 17 e 23 de fevereiro, era encontrado, em média, por R$ 32,81.
O levantamento da ANP para esses combustíveis leva em conta pesquisa feita em mais de 8 mil postos em todo o Brasil. Para o preço do GNV, são considerados 479 postos, já que o combustível não chega a todas as regiões do país.
O preço dos combustíveis vinham em trajetória estável, ou descendente ao longo de fevereiro, de acordo com a ANP. O litro do álcool variou, nas três semanas anterior, entre R$ 1,463 e R$ 1,474. A gasolina não passou de R$ 2,498, registrado na primeira semana, de 3 a 9 de fevereiro. Depois disso, variou apenas para R$ 2,494, entre 17 e 23 de fevereiro, até subir para R$ 2,534 na semana passada.
O GNV variou entre R$ 1,427 e R$ 1,442 nas três primeiras pesquisas de fevereiro. O diesel quase não teve variação nesse período, evoluindo de R$ 1,875 para R$ 1,876. O mesmo ocorreu com o GLP, cujo preço do botijão variou entre R$ 32,80 e R$ 32,82 nas três primeiras semanas de fevereiro, antes de subir para R$ 33,28 na última semana do mês.
Para o diretor-secretário da Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes), Emílio Martins, o aumento do álcool é reflexo da escalada dos preços no varejo. Segundo ele, nas últimas semanas, o litro vendido nas usinas subiu, em média, 7%. Ele ressaltou que os postos não fizeram o repasse integral.
"A gasolina, por ter álcool misturado, acaba tendo o preço elevado também. É inacreditável que um produto que está com a produção parada tenha uma variação dessas. De repente, o preço do álcool subiu", afirma.
Martins disse que a Fecombustíveis ainda não fez avaliação acerca da alta dos preços dos GNV. Ele acredita que possa ser reflexo de aumento definido por algumas distribuidoras estaduais.
A alta do diesel, segundo o representante dos postos de combustíveis, está associada à entrada de biodiesel no mercado. Emílio Martins acusa as distribuidoras de estarem se aproveitando da obrigatoriedade da mistura 2% de biodiesel ao diesel para elevarem os preços.
"Como que um produto que é responsável por apenas 2% do diesel tem uma influência tão grande sobre o preço? As distribuidoras subiram muito mais do que deveriam", critica.
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