Dinheiro
04/03/2008 - 18h25

StatoilHydro aposta no Brasil para expandir produção de petróleo e gás

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A petrolífera norueguesa StatoilHydro quer fazer de suas futuras operações no Brasil uma das principais plataformas de crescimento de sua produção de petróleo e gás em todo o mundo. Para isso, vai apostar em águas profundas, inclusive situadas na faixa do pré-sal.

Até 2012, a companhia planeja elevar a produção dos atuais 1,7 milhão de boe (barris de óleo equivalente) para 2,2 milhões de boe, dos quais 100 mil barris de petróleo por dia serão oriundos da produção do campo de Peregrino, situado na bacia de Campos, que começa a operar em 2010.

A StatoilHydro acertou nesta terça-feira a compra dos 50% que a sua sócia, a americana Anadarko, detém em Peregrino. Com isso, a petrolífera norueguesa terá a totalidade do ativo assim que a ANP (Agência Nacional do Petróleo) autorizar o negócio. A aquisição custará US$ 1,8 bilhão à empresa, e inclui também os 25% de participação que a Anadarko detém no campo de Kaskida, situado em águas profundas no Golfo do México.

O planejamento da StatoilHydro contempla, principalmente, investimentos em águas profundas e em áreas com potencial de petróleo pesado. A experiência da companhia com a produção de petróleo deste tipo é uma das causas dessa aposta, explicou o presidente da StatoilHydro no Brasil, Jorge Camargo. Boa parte do petróleo extraído pela empresa na Noruega é pesado.

É no país de origem da petrolífera que se concentra quase a totalidade da produção. São 1,5 milhão de boe/dia, enquanto que os 200 mil boe/dia restantes estão espalhados por países como Angola, Venezuela, Azerbaijão e Argélia.

Outro motivo para a aposta é o esgotamento de áreas com grande quantidade de óleo leve. Camargo destaca que as oportunidades na indústria do petróleo estão cada vez mais restritas, e que a empresa aposta em projetos que demandam alto investimento e elevada tecnologia.

"Cada vez mais, quem procura petróleo sabe que não há produto fácil. Tem que se buscar nas dificuldades. A compra de metade de Peregrino é uma demonstração enfática que temos um compromisso de longo prazo com o Brasil. Queremos montar aqui uma plataforma de crescimento", afirmou.

Diante dessa aposta, Camargo admite que a empresa tem interesse em explorar a área do pré-sal, situada em águas ultraprofundas. É lá que estão os promissores campos de Tupi e Júpiter, da Petrobras, que poderão colocar o Brasil entre os principais produtores do mundo.

"Temos blocos adquiridos na 8ª Rodada da ANP, cuja aquisição precisa ser sancionada pela agência. Eles estão na área do pré-sal, e temos o interesse em avaliar o potencial", observou.

Dos três blocos em Santos nos quais a StatoilHydro detém participação, a companhia norueguesa é operadora no SM-1233. As outras sócias são a Petrobras e a Repsol. Nos dois restantes, a parceria é a mesma, com Petrobras e Repsol atuando como operadoras em cada um deles.

O investimento para o Brasil, por ora, é de US$ 2,5 bilhões, relativos à implementação da produção do campo de Peregrino, que contará com duas plataformas fixas e um navio-plataforma.

O valor, ressalta Camargo, certamente será elevado com novas perfurações em dois campos adjacentes a Peregrino. Essas áreas poderão fazer com que as reservas estimadas de Peregrino subam de 500 milhões de barris para até 700 milhões de barris.

Ao todo, a StatoilHydro detém participações em 11 blocos leiloados nas rodadas da ANP. Nenhum deles começou a operar ainda. Até hoje, a empresa investiu US$ 650 milhões no país.

 

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