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Dinheiro
05/03/2008 - 12h24

Após duas quedas, indústria retoma ritmo de expansão de 2007, diz IBGE

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A recuperação da produção industrial em janeiro, depois de duas quedas consecutivas, demonstra a manutenção do ritmo de crescimento verificado na maior parte de 2007, especialmente na maior parte do segundo semestre. As variações negativas observadas em novembro e dezembro foram causadas pelo forte impulso da produção em outubro. Naquele mês, a produção industrial crescera 3,4%, avanço recorde na comparação com o mês anterior.

Para o coordenador da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Silvio Sales, o resultado de janeiro foi influenciado, em parte, pela necessidade de recomposição dos estoques do comércio após as vendas de fim de ano.

"O resultado de janeiro mostra, em quase todas as comparações, aceleração significativa do ritmo da produção industrial. Houve um crescimento espalhado em vários setores", afirmou.

Nem mesmo a queda de 0,3% na média móvel trimestral (de novembro de 2007 a janeiro) tira o otimismo de Sales em relação aos resultados da indústria no primeiro mês de 2008. Esse resultado foi influenciado pela queda acumulada de 2,8% da produção industrial nos dois últimos meses do ano passado. Foi a primeira redução desse índice desde julho de 2006.

"A média móvel trimestral sofreu influência da retirada do resultado elevado de outubro. Não há sinal de que vá haver inflexão na curva média trimestral. Isso não sinaliza uma tendência para os próximos meses", observou Sales.

Para o economista do IBGE, a boa perspectiva para os próximos meses é justificada pelo aumento das importações, dos bons resultados de emprego e renda no início de 2007, além da manutenção de alta oferta de crédito.

"Não há indícios de que a industria vá entrar em fase negativa, o que não quer dizer que o crescimento não possa desacelerar", acrescentou.

Um resultado destacado por Sales é o da indústria de bens intermediários, que cresceu 1,3% em janeiro, na comparação com o mês anterior. Em dezembro, a despeito da queda da produção indistrial, o segmento também registrou ampliação de 1,3% em relação ao mês anterior.

"Esse resultado é importante porque essa indústria em a característica de ser antecedente dos bens finais, embora uma parte seja exportada. Os bens intermediários e duráveis operaram, em janeiro, em níveis máximos de produção", explicou Sales.

Ainda de acordo com o economista do IBGE, o crescimento da indústria revela um perfil parecido com o de 2007. Mas o avanço do segemento de bens intermediários pode indicar uma sinalização de mudança nesse perfil.

 

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