Fipe espera queda da inflação em São Paulo em março, para 0,13%
CRISTIANE MARSOLA
Colaboração para a Folha Online
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) espera que o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) de março fique em 0,13%, após ter registrado alta de 0,19% em fevereiro, bem abaixo da taxa de janeiro (0,52%). "A tendência é que o IPC continue desacelerando neste mês", diz o coordenador da pesquisa da Fipe, Márcio Nakane.
O principal responsável pela desaceleração nos preços deve ser o grupo Alimentação, com deflação de 0,67% --em fevereiro, os preços da categoria ficaram 0,15% mais baratos, primeita taxa negativa desde abril de 2007, quando a queda foi de 0,13%.
Dentro do grupo, o arroz e o feijão tiveram contribuição significativa para evitar uma queda ainda maior em alimentos, mas devem ter desaceleração em março, segundo Nakane. "Esperamos que março seja bem tranqüilo para alimentação. O arroz já mostra uma pequena desaceleração na ponta [na prévia anterior era de 3,72%, e na última, subiu 2,6%]", afirmou.
O grupo Saúde deve ter inflação de 0,55% em março, após subir 0,57% em fevereiro. De acordo com Nakane, os preços da categoria devem exercer a maior pressão inflacionária neste mês.
Para o item Vestuário, a aposta é de alta de 0,40% nos preços, ante 0,06% apresentado em fevereiro. Nakane ressaltou que apesar da taxa ter ficado baixa no mês passado, a Fipe esperava que tivesse ocorrido deflação, mas as liquidações tradicionais da época terminaram antes do previsto. "Houve uma mudança no comportamento do grupo Vestuário, que costuma ter o pico de deflação agora. Comparado aos anos anteriores, estamos um mês antecipados", diz.
Já Educação deve ficar próxima da estabilidade, em 0,08%, pouco abaixo do 0,17% de fevereiro --no mês passado, junto a alimentos, a categoria foi a principal responsável pela desaceleração do IPC geral. "O pico do grupo é sempre no fim de janeiro. Agora ele volta à estabilidade", fala Nakane.
Despesas Pessoais, cujos preços em fevereiro ficaram estáveis, deve ter um aumento de 0,3% em março. "O grupo está em um processo de reversão da tendência. Depois de uma seqüência de sete desacelerações, fechou fevereiro zerado", conta o coordenador.
No setor de Transportes, o aumento esperado nos preços é de 0,45%, ainda com o reflexo do reajuste no transporte coletivo. Em fevereiro, a inflação do grupo foi de 0,37%.
Por fim, Habitação deve ficar em 0,33%, frente alta de 0,35% de fevereiro. "Em março, o imposto predial não aparece mais no índice. No entanto, o reajuste autorizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na conta de energia deve aparecer", diz.
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