BC mantém taxa de juros em 11,25% pela quarta reunião consecutiva
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
As projeções de inflação próximas do centro da meta e a economia em aquecimento fizeram o BC (Banco Central) manter, por unanimidade, inalterada a taxa básica de juros da economia. O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou nesta quarta-feira que a Selic irá continuar em 11,25% ao ano. É a quarta manutenção consecutiva.
Como em ocasiões anteriores, entidades da indústria e do comércio criticaram a decisão. Enquanto a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) defendeu a aprovação da reforma tributária como meio de retomar os cortes, a CNI argumentou que a "queda dos juros é crucial para reverter a valorização do real". Para o comércio, a manutenção da Selic é "inexplicável" e inibe o crescimento.
"Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 11,25% ao ano sem viés. O Copom irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até a sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na estratégia de política monetária", disse o comitê após pouco mais de 3 horas de reunião.
A manutenção era esperada pela maior parte dos analistas do mercado financeiro, já que o BC ainda observa os reflexos das reduções de juros passadas sobre a atividade econômica e sobre os preços.
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A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle. Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao crédito e consome mais. Esse aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender esse maior consumo.
Por outro lado, no entanto, se os juros sobem, a autoridade monetária inibe consumo e investimento, a economia desacelera e evita-se que os preços subam demais.
Assim, um dos motivos para a cautela do BC é justamente o fato de as projeções de inflação de 2008 e 2009 estarem próximas ao centro da meta. Para este ano, os analistas esperam um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, taxa oficial de inflação) de 4,41% e, para o ano que vem, 4,3%. O centro da meta é de 4,5% nos dois anos.
Segundo o último boletim Focus, analistas do mercado financeiro acreditam que os juros terminarão o ano no mesmo patamar que começaram.
As incertezas em relação à economia norte-americana, à beira de uma possível recessão, também reforçam esta tese. No entanto, alguns analistas acreditam que no segundo semestre, com a possibilidade do real continuar apreciado em relação ao dólar, abriria espaço para uma redução nos juros.
O Copom divulga na quinta-feira da próxima semana a ata da reunião ocorrida ontem e hoje, em que explica sua decisão e faz análises para o rumo da economia do país.
Ranking
A manutenção dos juros em 11,25% fizeram o Brasil voltar a ter a taxa real de juros mais elevada do mundo, segundo o ranking da UpTrend Consultoria Econômica.
Considerando a atual Selic, a taxa real está em 6,73%. Em segundo lugar aparece a Turquia, com 6,69%. O ranking elaborado pela UpTrend mostra a Austrália em terceiro, com taxa de 4,89%, e o México em quarto, com 4,18%.
Os juros reais levam em conta a taxa básica de juros descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.
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