Copom vai monitorar demanda antes de mexer nos juros, diz analista
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Os integrantes do Copom devem monitorar com atenção os próximos dados sobre demanda para decidir sobre uma possível mudança nos rumos da política monetária, avalia Marco Franklin, sócio da Paraty Investimentos. "Quando o Copom fala que vai monitorar a situação econômica, provavelmente se refere aos dados sobre demanda, que ele vai ter que acompanhar nos próximos meses", acrescenta, numa referência ao comunicado breve divulgado após a reunião.
No texto, os integrantes do Comitê falam em "monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico" até a próxima reunião, para "definir os próximos passos na estratégia de política monetária".
"A decisão do Copom foi bastante sensata. Primeiro, as expectativas para a inflação estão abaixo da meta para este ano [4,5%]; a inflação de fevereiro veio abaixo da inflação de janeiro, e as nossas projeções indicam que a inflação de março está perto de zero, quer dizer a situação está tranqüila, não havia razão para subir os juros", afirma.
Por outro lado, avalia, ainda não havia espaço para reduzir os juros. "O nível de utilização da capacidade instalada da indústria está muito próximo do seu valor máximo; as taxas de crescimento do crédito, ano contra ano, estão muito altas, e as taxas de desemprego estão baixas. Os indicadores da demanda estão muito esticados", diz Franklin.
O presidente do Ibef-SP, Walter Machado de Barros, estima que o Comitê possa reduzir os juros a partir do segundo semestre, provavelmente com dois cortes de 0,25 ponto percentual, o que traria a Selic para 10,75% ao ano.
O último boletim Focus mostra que os analistas do setor financeiro projetam que a taxa Selic seja mantida em 11,25% neste ano, caindo para 10,25% somente em 2009. O documento apresenta as medianas das projeções de uma centena de instituições financeiras, coletadas pelo Banco Central.
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