Dinheiro
06/03/2008 - 12h33

Anatel estuda permitir revenda de minutos de celular

LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) quer permitir a revenda de minutos de celular por outras empresas. Está em estudo na agência a criação da figura do operador virtual, uma empresa que comprará minutos no atacado das companhias de celular --pagando mais barato por isso-- e revenderá pacotes para hotéis, lojas e outros clientes.

De acordo com o superintendente de Serviços Privados da Anatel, Jarbas Valente, várias empresas já demonstraram interesse em atuar como operadoras virtuais. Seria uma alternativa interessante, por exemplo, para bandeiras de cartão de crédito, como Visa e Mastercard, que poderiam comprar milhões de minutos em uma só conta e revender para lojas que utilizam a rede celular para as máquinas de cartão.

Segundo Valente, essas empresas demandam cerca de 4 milhões de minutos por mês, mas hoje cada loja tem que ter um contrato e uma conta com a operadora de celular.

"O operador virtual compra os minutos e um conjunto de números e revende. Ela passa a ser uma operadora de telecomunicações, terá as mesmas obrigações de atendimento ao usuário", afirmou.

Valente adiantou que a proposta já está pronta na superintendência e deverá ser levada ao conselho da Anatel ainda esse semestre. Com a entrada da tecnologia 3G (terceira geração), que permitirá o acesso à banda larga pelo celular, o mercado para os operadores virtuais será ainda maior.

Elas poderiam, por exemplo, oferecer serviços personalizados para condomínios, redes de hotéis e outros clientes específicos que não têm suas necessidades atendidas pelas operadoras tradicionais.

"São soluções específicas para determinados clientes.Com a banda larga, terão tantas aplicações que elas (as operadoras de celular) não conseguirão fazer. Para a operadora é uma maravilha, é um tráfego que ela não teria", completou.

Empresas

A idéia divide as empresas de celular. Enquanto as grandes são céticas em relação à viabilidade da proposta, as pequenas comemoram a possibilidade de usar a infra-estrutura gigante existente em todo o país.

"Somos a primeira candidata a operadora virtual, mas tem que dar dinheiro", disse o presidente da CTBC, Divino Sebastião de Souza.

Já as grandes alertam que, com as várias obrigações de qualidade de atendimento e serviço exigidas pela Anatel, o valor poderá ficar muito alto para o operador virtual e inviabilizar o negócio.

"Sou muito cético considerando o grau de competição e com os regulamentos que temos que atender nesse país", declarou o diretor de Regulação da TIM, Paulo Roberto Lima.

A opinião é compartilhada pelo presidente da Claro, João Cox: "Em tese, não vejo nada contra, mas tendo a crer que, se a coisa vingar, será muito de nicho O ambiente regulatório impõe custos muito grandes".

 

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